O incêndio de 15 de Outubro de 2017, no Pinhal de Leiria, naquele que foi descrito como “o pior dia do ano”, terá sido provocado por mão criminosa, cumprindo um plano traçado por madeireiros e donos de fábricas da região, avança uma investigação da TVI.

Este grande incêndio, que queimou 86% da mata nacional de Leiria, causou a morte de 45 pessoas e destruiu cerca de 500 empresas da região. Mas para a indústria da madeira revelou-se um negócio de milhões.

A TVI apurou que, cerca de 15 dias antes do incêndio, houve um encontro entre os maiores proprietários de empresas de madeira da região e donos de fábricas que compram e vendem madeira para combinar “pôr fogo ao pinhal para ter a madeira mais barata”.

A denúncia é feita por um madeireiro que terá sido convidado para o encontro, mas que não concordou com a alegada estratégia afinada na reunião secreta.

O encontro terá decorrido “na cave de um restaurante, para não verem os industriais todos a combinar”, conforme se refere na reportagem assinada pela jornalista Ana Leal.

“Se não houvesse este incêndio, a madeira nesta altura estava a 80 euros e não havia para cortar, porque o pessoal não disponibilizava a venda”, constata o madeireiro que não dá a cara.

Estão em causa “milhões de toneladas de madeira queimada” e “milhões” de euros de lucro para os madeireiros envolvidos.

A mesma testemunha relata que, oito dias antes do incêndio, houve “uma reunião para combinarem o preço da madeira, antes de arder, para não oferecerem nada pelos lotes do Estado” porque a madeira estava “a sair muito cara”. “A ideia deles é assim: não se compra, a madeira fica ali assim e o Estado, um dia, para limpar aquilo, tem que dar quase dado”, explica o madeireiro.

Este homem não identificado também frisa que os envolvidos neste esquema escolheram a data para o incêndio, para se conservar a madeira. “Se tivesse ardido 15 dias depois, a madeira já não se aproveitava grande coisa”, reconhece na reportagem da TVI um outro madeireiro, sublinhando que “ardeu na altura certa”.

Encontrados vasos de resina nos focos de incêndio

A corroborar a ideia de fogo de origem criminosa, o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Pataias, Nélio Gomes, explica que foram encontrados vasos de resina que terão servido para despoletar o incêndio em vários locais.

“Os focos de incêndio começaram sempre junto a estes púcaros“, sublinha Nélio Gomes, constatando que há a certeza de que o primeiro fogo que deflagrou no Pinhal de Leiria, no fatídico 15 de Outubro, teve origem criminosa.

O comandante também nota que houve uma “tentativa deliberada de que esta zona tivesse um incêndio”, realçando que, já antes daquele dia, houve “várias tentativas” goradas para provocar fogos. O comandante dos bombeiros fala em “mais de 50 alertas”.

A GNR e a Polícia Judiciária terão sido informadas destes dados.

Na reportagem da TVI, Nélio Gomes também “estranha” que, apenas três dias depois do incêndio, quando os bombeiros ainda faziam rescaldo nalgumas zonas e com a terra ainda a deitar fumo, já havia madeireiros a cortarem madeira.

Para os proprietários, o grande incêndio foi trágico porque perderam grande parte do investimento que fizeram no Pinhal de Leiria. Há pessoas a vender madeira queimada por 10 mil euros quando valeria mais de 100 mil euros, isto porque ninguém dá mais, devido ao alegado esquema de combinação de preços dos madeireiros.

Uma fonte citada pela TVI refere que o sector vivia um momento de “espiral de subida de preços”, antes do grande incêndio, exemplificando que a madeira de pinho subiu dos 25 euros para os 45 euros, o que era “completamente insustentável” para os madeireiros.

Depois do fogo, as grandes empresas de madeira estão a facturar milhões, com toneladas de madeira queimada acumulada em stock.

“Todas as pessoas com alguma dimensão vão ganhar milhões com isto e todo o pequenino vai ser derretido”, refere uma outra fonte não identificada à TVI. “Daqui a alguns tempos”, “essa gente vai morrer toda”, “porque, com a falta de matéria-prima que vai haver, vão ficar completamente trucidados e não têm hipótese nenhuma de entrar no mercado”, conclui.

Fonte: ZAP

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