Três famílias de crianças com cancro infantil denunciaram as condições em que os filhos estão a ser tratados no Hospital de São João, no Porto, onde são sujeitos a sessões de quimioterapia nos corredores.

Na unidade Joãozinho, ala de internamento pediátrico para crianças com cancro, que funciona há quase dez anos em contentores, fora do edifício central, a falta de condições é visível e há crianças que são sujeitas a tratamentos de quimioterapia nos corredores.

A denúncia partiu das famílias de menores doentes incentivadas pelos próprios profissionais de saúde, conta o Jornal de Notícias.

De acordo com o mesmo jornal, esta é apenas uma de muitas queixas que os familiares das crianças apontam e que já fizeram, inclusive, chegar à Administração do Centro Hospitalar.

“As crianças acabam de fazer quimioterapia e têm de partilhar os elevadores com os caixotes de lixo. Além disso, os carrinhos de limpeza são colocados ao lado dos de comida”, conta Jorge Pires, pai de um adolescente em tratamento, acrescentando ter já enviado vários emails para a administração hospitalar.

Já Patrícia Ferraz, mãe de uma outra criança com doença oncológica, diz que quando os menores precisam de ser internados chegam a esperar quatro e cinco horas por uma ambulância “sem condições higiénicas” que os leve até ao Joãozinho, um percurso que se faz “em apenas alguns minutos”.

Outra mãe, Marlene Pinho, refere que se a situação na zona de quimioterapia no ambulatório “é caótica”, quando é preciso internar as crianças a situação é mil vezes mais grave. “Não se admite que as crianças em isolamento tenham quartos com buracos nas paredes.”

Apesar das denúncias e queixas relativas às condições em que os seus filhos recebem tratamentos, os pais são, por outro lado, unânimes em aplaudir o comportamento dos profissionais de saúde que, segundo dizem ao JN, tudo fazem para dar o melhor tratamento possível às crianças.

Confrontado com as queixas, fonte oficial do hospital do Porto garante que têm sido feitas melhorias na unidade e que irão continuar a fazer os melhoramentos que começaram há dez anos. No entanto, a construção da nova ala pediátrica está parada há dois anos.

Numa mensagem enviada durante manhã à Antena 1, citada pelo Jornal de Notícias, a administração do hospital lembrou que está há quase um ano à espera que o Governo liberte verbas para a nova unidade pediátrica.

O Ministério da Saúde esclareceu que esse dinheiro será desbloqueado em breve, não avançando, no entanto, uma data concreta e remeteu mais esclarecimentos para o hospital.

O bastonário da Ordem dos Médicos lamentou a situação e acusou a tutela de inação. “É lamentável que o ministro da Saúde ainda não tenha resolvido uma situação que é muito fácil. O que se está a pedir não é a construção de um hospital novo, é que as crianças e os respetivos profissionais, que estão em contentores no jardim do São João, passem para dentro do hospital. Claro que é preciso fazer algumas obras, que custam dinheiro, e, por isso, essa situação não está a ser a ser resolvida”, declarou Miguel Guimarães.

Presidente do Hospital S.João reconhece condições “miseráveis” da Pediatria

O presidente do Hospital de São João, no Porto, admitiu hoje que as condições do atendimento pediátrico são “indignas” e “miseráveis”, lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada.

“Há um protocolo assinado, temos um projeto pronto para entrar em execução e não temos o dinheiro libertado que torne possível a execução desse projeto”, afirmou António Oliveira e Silva.

O responsável disse que as obras que não dependem dessa verba têm vindo a ser realizadas, nomeadamente o novo centro ambulatório para a pediatria que fica disponível a partir de 15 de junho.

O presidente do Centro Hospitalar do São João falava aos jornalistas a propósito de queixas de pais de crianças com doenças oncológicas sobre a falta de condições de atendimento dos seus filhos em ambulatório e também na unidade Joãozinho para onde as crianças são encaminhadas quando têm de ser internadas.

Fonte: ZAP

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