(E:D) António Cotrim / Lusa

As escutas telefónicas da Operação Lex são determinantes no âmbito das suspeitas contra o juiz desembargador Rui Rangel. E numa delas, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, terá sido apanhado a dizer que ia “apertar com o Rangel para ele resolver aquela m….”.

Alguns dos dados que constam das escutas telefónicas efectuadas no âmbito da Operação Lex, são divulgados pela comunicação social, e parecem colocar Rui Rangel em maus lençóis.

O Correio da Manhã cita escutas interceptadas ao advogado Jorge Barroso, um dos arguidos do processo, onde este fala com Luís Filipe Vieira. Numa conversa mantida a 17 de Maio de 2017, o presidente do Benfica terá dito a Barroso que ia “apertar com o Rangel para ele resolver aquela m….”, cita o CM.

O diário lembra que Vieira enfrentava, na altura, “um processo fiscal por uma dívida de 1,6 milhões” e que, portanto, terá tentado obter ajuda de Rangel para o solucionar.

Depois dessa conversa, Vieira, Rangel, Barroso e Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica, jantaram no restaurante do Estádio da Luz, a 23 de Maio.

Vieira pretenderia que Rangel conseguisse “o nome do juiz” do Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra que ia julgar o processo fiscal referido, conforme terá dito a Barroso nas escutas interceptadas.

O juiz desembargador terá recebido de Tavares a garantia de “um cargo futuro na direcção” do Benfica ou na futura Universidade do clube, com um “vencimento atractivo de director”. Mas, para isso tinha que resolver “o assunto do Luís”, terá prometido Tavares a Rangel numa outra escuta telefónica.

O Ministério Público não conseguiu apurar se Vieira chegou mesmo ao juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra, como pretenderia.

Comentador pediu cunha para “derrotar” Sporting

O CM também noticia que o comentador da TVI Pedro Sousa, ex-director de comunicação do Sporting, pediu ao empresário José Veiga que metesse uma cunha a Rangel para que este intercedesse a seu favor num processo laboral contra a SAD leonina.

Pedro Sousa foi afastado do Sporting por Bruno de Carvalho, em 2013, e moveu, conjuntamente com Irene Palma, um processo contra o clube, reclamando cerca de 600 mil euros de indemnização. Ora, o comentador terá tentado que Rangel intercedesse a seu favor junto do juiz responsável pelo processo laboral.

Para garantir que José Veiga pedia o favor a Rangel, Pedro Sousa terá prometido ao empresário e ex-director de futebol do Benfica o acesso a Sérgio Monteiro, ex-secretário de Estado do Governo PSD/CDS e actual assessor do Fundo de Resolução do BES.

Veiga pretendia, na altura, adquirir o Banco Internacional de Cabo Verde e Pedro Sousa ter-lhe-á garantido que a mulher, a ex-jornalista da RTP, Patrícia Galo, e ex-assessora do Governo PSD, podia convencer Sérgio Monteiro para que o negócio se concretizasse.

Advogado geria todo o dinheiro de Rangel

A SIC Notícias revela escutas telefónicas efectuadas a Rita Figueira, ex-companheira de Rangel e também arguida no caso, em que esta diz ao pai que quem detinha e geria todo o dinheiro do juiz era o advogado Santos Martins. Este movimentaria os valores que realmente pertenceriam ao juiz desembargador em contas do filho e em contas no estrangeiro.

Numa outra escuta interceptada a Rita Figueira, ela refere que Rangel teria deixado dinheiro guardado numa casa que Santos Martins tinha na Guarda.

Durante os interrogatórios a que foi sujeito, Santos Martins não conseguiu explicar porque fazia pagamentos a Rangel e a Fátima Galante, juíza desembargadora que foi casada com o juiz e que também é arguida no caso.

Nas buscas efectuadas ao escritório do advogado, as autoridades encontraram talões de despesas alegadamente atribuídas a Rangel.

Fonte: ZAP

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