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Jesus terá provas de que Bruno de Carvalho permitiu agressões

Mário Cruz / Lusa

O treinador do Sporting terá provas dos contactos entre Bruno de Carvalho e a claque leonina, nos quais o Presidente do clube da carta branca para “apertarem” com os jogadores e equipa técnica.

O Público avança que Jorge Jesus tem provas de que as agressões sofridas por jogadores e equipas técnicas foram “permitidas” por Bruno de Carvalho.

Segundo as provas do treinador leonino, os contactos entre o presidente do clube e os elementos da claque aconteceram a 6 de abril, logo a seguir à derrota da equipa em Madrid frente ao Atlético, por 2-0, na primeira-mão dos quartos de final da Liga Europa.

De acordo com o mesmo jornal, as provas serão apresentadas às autoridades caso o treinador não chegue a acordo com a atual direção sportinguista para rescindir contrato. Jesus pretende reunir-se com Bruno de Carvalho até quarta-feira para formalizar a sua desvinculação do Sporting.

No entanto, se as negociações abortarem, o treinador planeia rescindir unilateralmente invocando justa causa. Paralelamente irá acrescentar ao depoimento que já fez na polícia um conjunto de dados de que teve conhecimento nos últimos dias e que considera relevantes para o que aconteceu em Alcochete.

O técnico acusa o atual líder da autoria moral dos crimes de sequestro, atentado contra a sua integridade física (agressão qualificada) e de associação criminosa.

Jesus considera particularmente relevantes as declarações públicas do anterior diretor de instalações da Academia do Sporting, José Diogo Salema, que descreveu como estranhas as circunstâncias da invasão das instalações.

De acordo com o antigo responsável, nos oito anos em que esteve à frente da segurança deste espaço as portas eram encerradas sempre que a equipa treinava. Para além disso, existem câmaras que permitiriam detetar as movimentações no exterior.

Os advogados do técnico poderão apresentar estas declarações como elementos de prova pericial para acusarem a direção do Sporting de dolo eventual ou, pelo menos, negligência simples ou grosseira.

Ataque foi previamente planeado

Em tribunal, o Ministério Público alegou que os agressores de jogadores e equipa técnica do Sporting agiram de acordo com um plano previamente combinado para intimidar os elementos do clube leonino, revela o Diário de Notícias.

A magistrada do Ministério Público pedia medidas de coação mais gravosas do que Termo de Identidade e Residência. As medidas ainda não foram decretadas, uma vez que ainda não foram ouvidos todos os arguidos, mas estes terão passado a noite na cadeia.

A magistrada defende a prisão preventiva, já que se verificam os seus pressupostos, nomeadamente a perturbação de inquérito, o perigo de continuação da atividade criminosa e o perigo de perturbação da ordem e da tranquilidade pública.

“Vocês são uns filhos da p***, cabrões. Vocês são um monte de m****. Vamos-vos matar! Vocês estão f******! Vamos-vos arrebentar a boca toda. Não ganhem o jogo no domingo que vocês vão ver”, foram algumas das ameaças ouvidas que os jogadores e dirigentes transmitiram ao MP.

De acordo com os relatos, os arguidos já iam munidos de tochas, que arremessaram para o recinto logo que chegaram, causando logo queimaduras a um elemento da equipa técnica.

Agrediram depois violentamente vários jogadores e outras pessoas presentes. O treinador Jorge Jesus foi atingido com um cinto na cara e pontapeado em diversas partes do seu corpo.

Segundo ainda a descrição do MP, depois de terem cumprido o seu objetivo premeditado, o “bando” colocou-se em fuga apeada. Nesta altura, a GNR já tinha sido informada dos incidentes e estava a chegar à Academia.

Os arguidos estão indiciados por vários crimes, o mais grave dos quais de terrorismo. Este crime pode ser imputado, de acordo com a lei, sempre que “um agrupamento de duas ou mais pessoas, atuando concertadamente” ajam para “intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral”, através de ameaças ou contra a sua integridade física.

Nove dos 23 arguidos querem colaborar com a justiça

Nove dos 23 arguidos pelos incidentes ocorridos na terça-feira na Academia de futebol do Sporting decidiram prestar declarações, informou o tribunal do Barreiro.

Numa nota distribuída à comunicação social, o juízo de instrução criminal do Barreiro adianta que um dos detidos já foi ouvido durante a manhã, antes da suspensão dos trabalhos.

Pedro Madureira, advogado de vários arguidos, admitiu que “a acusação está a ser feita de forma genérica em relação a todos os arguidos” e disse não acreditar que “existam indícios suficientes para todos os crimes de que estão indiciados, nomeadamente o de terrorismo”.

Na terça-feira, cerca de 50 pessoas, de cara tapada, alegadamente adeptos ‘leoninos’, invadiram a Academia de Alcochete e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, o treinador Jorge Jesus e outros membros da equipa técnica.

Na sequência da invasão à Academia ‘leonina’, a GNR deteve 23 suspeitos, apreendeu cinco viaturas ligeiras, vários artigos relacionados com os crimes e recolheu depoimentos de 36 pessoas, entre jogadores, equipa técnica, funcionários e vigilantes ao serviço do clube.

Os detidos foram já identificados, ficaram a conhecer os factos que lhes são imputados e começaram ontem a ser ouvidos por um juiz de instrução criminal no Tribunal do Barreiro.

O Ministério Público disse na quarta-feira que os detidos pelas agressões a futebolistas do Sporting são suspeitos de práticas que podem configurar crimes de sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e terrorismo, entre outros.

“Não nos vamos demitir”

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, disse na quinta-feira que a direção do clube e a administração da SAD não se vão demitir. “Não nos vamos demitir”, afirmou Bruno de Carvalho, sublinhando que está pedida uma Assembleia-Geral extraordinária para ouvir os sócios do clube.

Depois de estar reunido toda a tarde e princípio da noite para debater o momento de crise que o clube atravessa, o Conselho Diretivo do Sporting pronunciou-se em Alvalade, através de comunicado. Bruno de Carvalho foi o primeiro a ter a palavra e garantiu que não se irá demitir da presidência.

“O Sporting está a ser alvo de um ataque sem precedentes, mas não nos vamos demitir. É nosso dever, para bem do Sporting, ficar”, afirmou Bruno de Carvalho, assegurando que, após a final da Taça de Portugal, marcada para domingo, frente ao Aves, no Estádio do Jamor, será dada a voz aos adeptos.

“Depois da Taça de Portugal, estaremos à disposição dos sócios. Pediremos a marcação de uma Assembleia-Geral extraordinária para os ouvir. Mas, em vez disso, são os de dentro a ajudar os de fora nestes ataques”, criticou Bruno de Carvalho.

“Não nos demitimos para bem do Sporting. Estamos, como sempre, disponíveis para prestar todos os esclarecimentos necessários”, concluiu Bruno de Carvalho.

Álvaro Sobrinho pede demissão da direção do Sporting

O empresário Álvaro Sobrinho pediu a demissão da direção da SAD do Sporting, frisando que a Holdimo, detentora de 30% das ações da sociedade, perdeu a confiança no elenco liderado por Bruno de Carvalho.

“A direção da Sporting SAD não merece a confiança do segundo maior acionista e deve apresentar a demissão”, disse Álvaro Sobrinho, em declarações ao Jornal Económico.

O empresário angolano acrescentou que “as empresas têm de ser geridas profissionalmente e não por emoção” e acusou Bruno de Carvalho de causar “imensos problemas e danos reputacionais” à SAD que gere o futebol profissional do Sporting.

As ações do Sporting caíram mais de 17%, para 63 cêntimos, depois dos acontecimentos dos últimos dias: as agressões a jogadores e equipa técnica em plena Academia Sporting, em Alcochete, e a investigação sobre viciação de resultados que levou à detenção de André Geraldes, diretor para o futebol do clube.

Era estúpido um acionista gostar desta situação“, disse Sobrinho ao Jornal Económico, acrescentando que a Holdimo está “imensamente preocupada” e “vai fazer absolutamente tudo para preservar os seus principais ativos, que são os jogadores”.

Sobrinho garantiu que a Holdimo “tudo fará para manter a estabilidade da SAD”, onde “há um problema na gestão da sociedade, nos órgãos da direção, no presidente e nos seus membros executivos”.

Marta Soares admite AG no Sporting com nota de culpa para destituir Bruno de Carvalho

O presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, afirmou na quinta-feira que vai analisar a decisão da direção de manter-se em funções e assumiu que vai ter que “dar a palavra aos sócios”.

“A Mesa da Assembleia Geral mantém os mesmos poderes. Não conseguindo que Bruno de Carvalho saia, é isso que temos de fazer: uma Assembleia Geral com nota de culpa para a destituição. Não disse que ia marcar, mas tenho de analisar. A Mesa da Assembleia Geral não molda a bel-prazer as regras estatutárias. Tenho legitimidade de marcar uma AG em que se diga que a nota de culpa para destituição é esta”, afirmou Marta Soares em declarações à TVI24.

O presidente da Mesa da Assembleia Geral, que pediu a demissão do cargo juntamente com os restantes membros, reagia assim às palavras de Bruno de Carvalho, que minutos antes tinha descartado o afastamento do cargo de presidente do Sporting. “Não nos vamos demitir”, afirmou Bruno de Carvalho.

“A direção entende que tem condições para continuar. Essa não é a nossa linha de pensamento. Tenho que analisar esta situação com os restantes membros da Assembleia Geral, mas teremos que dar o mais cedo possível a palavra aos sócios para decidir”, afirmou Marta Soares .

Marta Soares lembrou que os “estatutos do clube têm sempre que ser respeitados” e negou que os membros da Mesa da Assembleia Geral tenham rejeitado na quarta-feira uma reunião com Bruno de Carvalho e restantes direção.

Não houve qualquer convite atempado para uma reunião. A Mesa estava reunida e subitamente ouve um telefone a perguntar se podíamos passar por uma reunião da direção. Isso não lembra nem ao diabo. Até houve alguns membros que ficaram ofendidos”, contou.

O dirigente ‘leonino’ voltou a lembrar que nos acontecimentos de Alcochete os jogadores recusaram falar com Bruno de Carvalho e que a sua continuidade pode ter um efeito “muito negativo” no clube.

Não há condições para ele continuar. Há muito que vai necessário reparar e com Bruno de Carvalho não vai ser possível”, frisou.

A polémica que envolve o Sporting agravou-se nos últimos dias, depois da derrota da equipa de futebol no domingo, no último jogo da I Liga de futebol, frente ao Marítimo, que fez o clube de Alvalade perder o segundo lugar para o Benfica.

Na terça-feira, antes do primeiro treino para a final da Taça de Portugal, que vai disputar com o Desportivo das Aves, a equipa de futebol foi atacada na Academia Sporting, em Alcochete, por um grupo de cerca de 50 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos e jogadores.

A GNR deteve 23 dos atacantes e as reações de condenação do ataque foram generalizadas e abrangeram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa.

Face às críticas, Bruno de Carvalho negou, em comunicado enviado à Lusa, qualquer responsabilidade pelo ataque na academia, rejeitou demitir-se da presidência do Sporting e anunciou que vai processar Ferro Rodrigues, bem como comentadores e jornalistas por o terem “difamado e caluniado” após os atos de violência em Alcochete.

Entretanto, a Mesa da Assembleia-Geral demitiu-se em bloco, vários membros do Conselho Fiscal e Disciplinar renunciaram aos cargos e parte do Conselho Diretivo também renunciou.

Paralelamente, a Polícia Judiciária deteve quatro pessoas ligadas ao Sporting na quarta-feira, incluindo o diretor desportivo do futebol, André Geraldes, na sequência de denúncias de alegada corrupção em jogos de andebol e de futebol.

Fonte: ZAP

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