Metade das crianças até aos três anos não têm vaga nas creches portuguesas, principalmente nos grandes centros urbanos. Este ano há quase menos 17 mil lugares nestes estabelecimentos.

O número de vagas em creches diminuiu este ano, contrariando a tendência de crescimento dos últimos anos. Segundo o Jornal de Notícias, apenas metade das crianças até aos três anos tem lugar nas creches portuguesas, situação que preocupa as famílias que não têm onde deixar os filhos.

A Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP) atribui esta diminuição do número de vagas à crise e ao aumento de concorrência, que terá levado muitas instituições privadas a fechar. De acordo com o diário, este ano há quase menos 17 mil lugares nestes estabelecimentos.

A tendência de aumento constante do número de vagas inverteu-se. Em 2016, havia 118 mil vagas em creches sendo que destas, 74.340 eram em instituições com acordo de cooperação (com financiamento do Estado) e 43.660 privadas. Por sua vez, em abril deste ano havia 114.108 lugares – 87.247 em creches públicas e 26.861 em privadas.

Esta queda deve-se apenas à diminuição de vagas nas creches privadas. Apesar de o número de lugares ter subido nos estabelecimentos com acordo de cooperação, esse aumento não foi suficiente para fazer face à queda nos estabelecimentos privados. Desde 2009, quase 30% dos associados da ACPEEP fecharam, adianta o jornal.

Ao JN, Manuela Silva, da ACPEEP, garante que em muitos concelhos o fecho das creches privadas deixou os pais sem alternativas. A responsável lamenta ainda que sejam as privadas a fechar, já que ao contrário das creches com acordo de cooperação não custam nada ao Estado.

João Dias, presidente adjunto da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social, acredita que o mapa de creches não está alinhado com as necessidades demográficas, afirmando que há creches em locais onde não são necessárias.

O Ministério do Trabalho e da Segurança Social afirma que reforçou a oferta de creches, com a celebração de novos acordos de cooperação de modo a criar mais 3.000 lugares entre 2016 e 2018.

Fonte: ZAP

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