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Marcelo Rebelo de Sousa discursou na 73.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas

O Presidente da República discursou na 73.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e não poupou críticas ao unilateralismo, tendo defendido ainda uma reforma nas Nações Unidas.

Esta quarta-feira, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa discursou na 73.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, numa espécie de discurso “anti-Trump”. Ainda que não tenha citado o Presidente norte-americano, Marcelo ficou-se na refutação de uma visão unilateralista do mundo e saiu em defesa do multilateralismo.

Apontando o dedo à “falta de visão política” de quem rejeita o multilateralismo, Marcelo colocou-se ao lado das prioridades políticas do secretário-Geral da ONU, António Guterres.

“Há duas visões diferentes sobre a realidade universal. Uma, de curto prazo, é uni ou minilateral, protecionista, virada para um discurso interno eleitoralista, minimizadora do multilateralismo em tudo o que seja desenvolvimento sustentável, que nega as alterações climáticas, contrária aos ‘Pactos Globais’ sobre migrações e refugiados, sobretudo atenta à prevenção nos conflitos e na manutenção da paz onde e quando, pontualmente, lhe interessa, e interessa em termos de poder económico mais do que político”, disse.

A outra, “que é a nossa, é multilateral, aberta, favorável a uma crescente da governação global, empenhada no desenvolvimento sustentável, olhando para o Direito Internacional, a Carta e os Direitos Humanos como valores e princípios e não como meios ou conveniências”.

“Acreditamos que, no médio e longo prazo, esta visão vencerá, como venceu na União Europeia, um êxito de multilateralismo, que deu à Europa o maior período de paz de que há memória e os mais elevados níveis de bem-estar e proteção social”, afirmou, esperançoso, Marcelo Rebelo de Sousa.

O seu discurso reiterou o apoio às prioridades e intervenções do “lúcido, dinâmico e excecional mandato” de Guterres: “O multilateralismo, assente no Direito Internacional e na Carta das Nações Unidas, a reforma do Sistema das Nações Unidas, a prevenção de conflitos, a manutenção da paz, a preocupação com as migrações e os refugiados, o combate ao terrorismo e crimes internacionais, oceanos e segurança marítima, as alterações climáticas e a Agenda 2030, a igualdade de género e a aposta nos jovens.”

Críticas mascaradas a Trump

Marcelo Rebelo de Sousa não compreende. Aliás, em vez disso, lamenta “o tropismo, unilateral, bem como o desinvestimento nas organizações internacionais”. No entender do Presidente da República português, “representam uma falta de visão política, que corre o risco de repetir os erros de há quase cem anos”.

Estas palavras foram, claramente, uma referência à orientação de Donald Trump que, no mesmo púlpito, 24 horas antes, rejeitara a “ideologia do globalismo”, criticara instituições internacionais como o Conselho dos Direitos Humanos da ONU e o Tribunal Penal Internacional e defendera o protecionismo.

O discurso de Marcelo contrastou com o do norte-americano, mostrando assim que Portugal tem uma visão muito diferente do mundo daquela que defende o líder da Casa Branca.

“Portugal entende que a acão multilateral, o diálogo político e o bom senso diplomático são o único caminho possível para a convivência entre as nações e os povos”, reforçou o chefe de Estado, fazendo o contraste com as “visões de curtíssimo prazo, que por muito apelativas que pareçam ser, constituem um fogo fátuo, que não dura, não durará, e não resolverá os verdadeiros problemas do mundo”.

“Mão mudamos com modas e protagonistas de curto prazo”, afirmou o Presidente, aproveitando a oportunidade para assegurar que Portugal “apoia sem reservas” o novo Pacto para as Migrações Seguras, iniciativa das Nações Unidas à qual Trump assegurou ontem que os Estados Unidos não aderirão.

Donald Trump disse ainda que os EUA jamais aceitarão a jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Já Marcelo reiterou o compromisso e Portugal com o TPI, que defendeu como instituição que deve tender para a universalidade.

Citando o ex-líder sul-africano e Nobel da Paz Nelson Mandela, Marcelo Rebelo de Sousa terminou a sua intervenção perante a Assembleia Geral da ONU  afirmando: “As Nações Unidas não são um luxo. As Nações Unidas são uma necessidade.”

Fonte: ZAP

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