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Armas furtadas em Tancos seriam para a ETA

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Paulo Cunha / Lusa

Guarita abandonada no complexo militar de Tancos

O Ministério Público acredita que o material de guerra furtado em Tancos estava destinado a ser vendido a elementos da ETA, a organização terrorista basca, que na altura do assalto ainda estava ativa.

Abastecer organizações criminosas de tráfico de estupefacientes e tráfico internacional de armas, como objetivo mais provável do assalto as paióis de Tancos, é a tese com mais força na investigação dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Segundo a teoria, suportada em depoimentos prestados nos interrogatórios do processo,  o assalto teria sido encomendado por terroristas bascos, que em maio, ou seja cerca de um ano depois do assalto, anunciaram a dissolução da organização nacionalista. O Ministério Público e a Polícia Judiciária estão a investigar as ligações entre um dos arguidos, atualmente em prisão preventiva, e membros da ETA.

De acordo com o Diário de Notícias, durante o interrogatório, um dos arguidos admitiu que a encomenda do assalto teria partido de traficantes com possíveis ligações a dissidentes dos terroristas da ETA.

No entanto, esta ligação carece de provas mais concretas. Aliás, nenhum dos cinco detidos esta segunda-feira, que ficou em prisão preventiva, ficou indiciado por terrorismo internacional, segundo confirmou um dos advogados.

Desde que o inquérito foi aberto, em julho de 2017, o Ministério Público tem mantido estes crimes na sua linha de investigação tendo sido esse o motivo que levou a atribuir o processo à Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ.

A tese de que o assalto teria sido planeado para obter munições para as 57 pistolas desviadas da PSP está cada vez mais descartada, segundo o mesmo jornal. Apesar de ambos os casos terem um suspeito em comum – já em prisão preventiva – fontes que estão a acompanhar as investigações, não têm indícios concretos que corroborem essa ideia.

Entre o material roubado em Tancos, recorde-se, estavam 1.500 munições 9 mm, que são utilizadas neste tipo de armas. Quando a maior parte do material de guerra foi recuperado, quatro meses depois, as munições não estavam incluídas.

“Não faz muito sentido que as munições furtadas em Tancos tenham sido para utilizar nas pistolas da PSP. Isto porque as pistolas foram roubadas aos poucos durante 2016 e colocadas logo no mercado criminal, em grupos com atividade em Portugal e em Espanha. Dessa forma, será inverosímil que as munições tenham sido roubadas, quando já estavam dispersas há tanto tempo”, disse uma fonte que está a acompanhar o processo.

Tendo em conta que oito das pistolas foram recuperadas nas mãos de criminosos, principalmente traficantes de droga, em vários pontos do país e em Espanha, não será difícil concluir que as outras tiveram o mesmo destino. Por outro lado, este tipo de munições não são difíceis de conseguir no mercado negro, não havendo por isso necessidade de assaltar uma base militar para as conseguir.

Fonte: ZAP

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