Logo paivense
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Poema: Sem resposta

Se o mundo parasse,

Eu deixaria de perder.

Vive dentro de mim a intuição

Que todos os dias perco alguma coisa.

Paulo Semide – Foto Facebook

Pergunto-me, porquê?

Mas, não encontro a mais abstrata resposta.

Sempre que olho o espelho, tento,

Ver no meu desinquieto reflexo, um olhar,

Olhar que já não vê o que sempre viu, talvez,

Um sofrido pedido de clemência.

Pergunto-me, porquê?

Mas, não encontro a resposta, à verdade.

Apetece-me chorar, mas…

Os meus infelizes e ofuscados olhos

São uma nascente sem água,

São um vento sem sopro,

São uma verdade mentirosa.

Pergunto-me, porquê?

Não encontro a resposta necessária,

E assim…

Dominado pelo breu do meu parecer

Amovo de mim a liberdade de poder voar.

Entrelaçado no pecado primitivo,

Consinto a consciência de não perdoar.

Pergunto-me, porquê?

Não encontro a resposta.

Será que ela existe?

Será digno pensar nela?

Ou simplesmente,

Será a dúvida a minha certeza?

Não creio…

Somente aceito a penosa encruzilhada.

Mas, pergunto-me porquê?

E continuo sem encontrar a resposta.

A pergunta leva-me a procurar

Sempre que caminho por um novo trilho,

Sempre em cada pedra uma nova palavra.

Lamento…

A dor que que em mim se entranha,

Na mente desfeita pela desesperada resposta.

Suspiro,

Agastado por cada subida sem fim,

Sem me dar a resposta que não sei para mim.

Pergunto-me, porquê?

Sem encontrar a sensata resposta

Inalo o pó da terra seca, alimento,

Do meu estranho e indeterminado juízo.

Sem resposta,

Respiro o ar impuro da leviandade

Das ideias sem acção que me martirizam.

E então, pergunto-me, porquê?

Porque não encontro uma simples resposta.

Paulo Semide 


Em crónicas e poemas – Espaço livre para publicações de crónicas e poemas. Os textos não são editados nem alterados.