“Não troquem os nossos bebés”, lê-se em vários cartazes espalhados pelo país. A iniciativa é de Luís Pedro Gonçalves, deputado socialista na Assembleia Municipal do Seixal, que acusa os serviços do Estado português de trocarem bebés nas maternidades.

A Organização Não Governamental “Não Troquem os Nossos Bebés”, fundada em julho de 2016 pelo deputado socialista no Seixal Luís Pedro Gonçalves, acusa agentes ao serviço do Estado português de “terem trocado e continuarem a trocar bebés de diferentes casais em maternidades portuguesas”.

De acordo com a Organização, essa acusação é facilmente comprovável: “os elementos de uma família biológica partilham parte do código genético, ora como todos somos interpretações humanas de código genético as parecenças são inevitáveis”. Assim, defende a iniciativa, onde não há parecenças, não há partilha do código genético.

“O facto de as mesmas características não serem apresentadas pelos “pais” e filhos denuncia que os primeiros são pais adotivos, e não pais (ou sequer parentes) biológicos com ligação a esse ramo.”

Ou seja, se um casal moreno tiver um filho loiro, de acordo com a ONG, o bebé terá sido trocado na maternidade.

No facebook, a Organização mostra casos práticos, apontando que, pessoas com traços físicos semelhantes aos do Ronaldinho Gaúcho, Leonardo DiCaprio, Messo, ou Neymar, não são apenas sósios, mas sim familiares que foram separados à nascença, já que, segundo a “Não Troquem os Nossos Bebés”, esta prática não é exclusiva de Portugal.

As afirmações feitas por esta ONG são sempre sustentadas com linguagem científica, que aponta que “nas famílias biológicas há ADN em comum, pois os pais passam-no aos filhos”. Assim, acredita o deputado socialista que encabeça a Organização, de todas as vezes que o filho não apresenta traços característicos dos pais foi trocado à nascença.

“Com a observação de inúmeras ocorrências, foi possível verificar que em maternidades portuguesas é prática promovida por alguns técnicos a troca de recém-nascidos entre casais”, acusa a Organização.

No entanto, uma forma que seria a mais fidedigna de comprovar esta troca, a realização de testes de paternidade, não é considerada uma prova já que “quem troca bebés mais facilmente trocará resultados de testes de paternidade”, aponta a ONG.

Recentemente, a “Não Troquem os Nossos Bebés” deu mais um passo na defesa da sua causa e colocou cartazes homónimos por todo o país, desde a rotunda do Marquês do Pombal, em Lisboa, a ruas do Porto, Almada, Barreiro, Figueira da Foz, Caldas da Rainha, Oeiras, Alenquer ou Carregado.

O deputado Luís Pedro Gonçalves justifica que começou o movimento por razões pessoais, revelando que a sua “família é trocada. Ainda não sou pai, mas quando for não quero correr esse risco. Adoro a minha família, mas não tenho vínculo biológico com os meus pais”.

À revista Visão, o porta-voz do movimento afirma que “se sente como se fosse adotado”, por não ter “qualquer semelhança física com os pais”. Em vez disso, “já me cruzei com pessoas que têm as mesmas características físicas que eu, mas que oficialmente não são meus familiares”.

E Luís Pedro esclarece que não acredita em coincidências: “Parentes biológicos devem ter um nível de semelhança física. Os filhos são sempre parecidos com os pais. Se os dois pais são da mesma altura, por exemplo, um filho não pode ser muito mais baixo nem muito mais alto. A falta de semelhanças significa que foram trocados.”

Apesar de continuar a afirmar que a troca é efetuada pelas Secretas portuguesas, o deputado do PS reconhece não saber “muito bem o interesse, mas que acontece, acontece. O poder político em algum momento deu essa ordem. As secretas obedecem ao poder político.”

Marta Amorim, especialista em genética contactada pela Visão, nega, por sua vez, as conclusões da ONG.

As coisas não são assim tão lineares. A genética é uma lotaria. Existem 200 mil genes que representam 2% do ADN e que podem resultar numa combinação infindável de resultados. Devido às diferentes hereditariedades, muitas surpresas podem acontecer nos traços de descendência. Vemos isso muito bem na cor da pele dos descendentes de casais em que um é de raça negra. Dois irmãos podem ter tons de pele completamente diferentes sendo filhos dos mesmos pais. E depois temos outros casos como a Síndrome de Down, em que por haver um cromossoma a mais os seus portadores são muito parecidos, embora não sejam familiares”, conclui.

CF, ZAP //

Fonte: ZAP

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