José Coelho / Lusa

Esta quinta-feira, o Partido Socialista recebeu uma carta de José Sócrates, na qual este entrega o seu cartão de militante, uma vez que, considera, “chegou o momento de pôr fim ao embaraço mútuo”.

A decisão de José Sócrates de abandonar o partido terá sido tomada na sequência das recentes críticas de Carlos César, líder parlamentar, de João Galamba, porta-voz do PS, que disseram que o PS estaria “enraivecido” e com “vergonha” relativamente a José Sócrates e com as mais recentes acusações contra Manuel Pinho.

António Costa afirmou também que em Portugal ninguém está acima da lei e que, “a confirmarem-se” as suspeitas de corrupção por membros do Governo de José Sócrates, será “uma desonra para a democracia”.

Na carta, publicada pelo Jornal de Notícias, José Sócrates começa por defender o “amigo” Manuel Pinho, uma pessoa que o ex-primeiro ministro “considera e estima”, das acusações “sobre a sua relação com o Banco Espírito Santo durante o período em que foi ministro”, exigindo que o “Ministério Público prove o que diz“.

“O primeiro dever de um Estado decente é provar as gravíssimas alegações que faz seja contra quem for, ainda que estas tenham sido, como habitualmente, feitas através da Comunicação Social”, refere o ex-socialista.

A carta de José Sócrates apresenta depois um post scriptum, no qual o ex-primeiro ministro refere que “durante quatro anos suportei todo o tipo de abusos“, sem nunca “ouvir por parte da Direção do PS uma palavra de condenação destes abusos, mas sou agora forçado a ouvir o que não posso deixar de interpretar como uma espécie de condenação sem julgamento“.

O ex-primeiro ministro recorda que “desde sempre, como seu líder, e agora nos momentos mais difíceis, encontrei nos militantes do PS um apoio e um companheirismo que não esquecerei. Mas a injustiça que agora a Direção do PS comete comigo, juntando-se à Direita política na tentativa de criminalizar uma governação, ultrapassa os limites do que é aceitável no convívio pessoal e político”.

Assim, o principal arguido da Operação Marquês, por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, considera que chegou “o momento de pôr fim a este embaraço mútuo”, tendo pedido, por carta endereçada ao Partido Socialista, a desfiliação do Partido. “Pronto, a decisão está tomada.

Fonte: ZAP

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