Sem meias palavras, Paulo Rangel deixou clara a sua posição: a Procuradora-Geral da República (PGR) tem de continuar. “É incompreensível esta agenda que tem o Governo de não a querer reconduzir”.

Esta sexta-feira, o eurodeputado Paulo Rangel avisou que será “incompreensível” se o Governo não reconduzir a atual Procuradora-Geral da República, acusando o Governo de “deitar ao lixo” o Estado social.

“Depois do desempenho que teve a Procuradora-Geral da República ao longo destes anos – discreta, eficaz, sem qualquer conotação política, indo a todos os casos – seria incompreensível esta agenda que tem o Governo de não a querer reconduzir”, criticou o eurodeputado, numa aula na Universidade de Verão do PSD sobre Europa.

Para Paulo Rangel, antigo líder parlamentar social-democrata, o Governo chegou “ao cúmulo” de produzir “não fake news, mas uma fake Constituição“, ao dar a entender que a Lei Fundamental não permite a recondução de Joana Marques Vidal.

“Lá está cristalino, limpinho, transparente que ela pode ser reconduzida. Era um mau sinal, numa altura em que tantos governos na Europa procuram interferir na justiça, que nós, que temos uma apreciação pacífica sobre o seu desempenho fôssemos introduzir ruído e perturbação institucional”, disse.

Rangel salientou ainda que “o Governo terá de responder pelo que fizer” e defendeu que o assunto nada tem a ver com “esquerdas e direitas”, mas com “o pilar fundamental de qualquer democracia que é o Estado de direito”.

Além disso, apontou o dedo ao Governo por falhar em áreas da soberania como a Defesa – lembrando o caso de Tancos -, os Negócios Estrangeiros a propósito da situação dos lusodescendentes e emigrantes na Venezuela e até da administração interna, alertando para o aumento da sinistralidade rodoviária.

“Para se fazerem umas flores com as políticas de rendimentos está-se a cortar em coisas estruturais, a ir ao osso. Nem no tempo da troika se deixou os serviços públicos no Estado em que estão agora”, criticou, acusando o atual Governo socialista de estar a “deitar ao lixo” o Estado social.

Fonte: ZAP

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