Manuel de Almeida / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

No seu habitual comentário semanal, Luís Marques Mendes revelou que no Orçamento de Estado para 2019 o governo vai apontar para um défice de 0,2% – um valor “histórico” naquele que será o “último orçamento de Mário Centeno”.

“O valor do défice que constará do OE será 0,2% do PIB – o que já é, tecnicamente, um défice zero – mas, ao longo de 2019, o mais provável é que chegue mesmo a zero ou que o ano termine com um ligeiro excedente orçamental”, notou o antigo líder do PSD no seu espaço de comentário na SIC.

Marques Mendes sublinhou que, na prática, este é “um orçamento de défice zero”, considerando este valor “histórico”, uma vez que em “44 anos de democracia nunca tivermos um défice zero”, sustentou.

A confirmar-se o valor, Mário Centeno fará um “brilharete”, defendeu o comentador, explicando que estes números beneficiam António Costa. “É muito difícil criticar um Orçamento com défice zero, algo que foi sempre defendido pelo PSD e CDS”, explicou.

Apesar de frisar os bons resultados do Ministro das Finanças, Marques Mendes revelou que este será o último ano de Mário Centeno à frente da pasta das Finanças. Segundo o comentador, Centeno já estará a preparar uma carreira internacional.

“[Centeno] não ficará no próximo governo”, antecipou Marques Mendes.

O ministro das Finanças “quer sair [do governo] ficando na história como o único que em democracia conseguiu um orçamento de défice zero ou até com excedente orçamental”, considerou, revelando que Centeno aspira aos cargos de Comissário Europeu ou de presidente do Fundo Monetário Europeu – instituição ainda não criada.

O conselheiro político considerou ainda que o Orçamento de Estado para 2019 será “eleitoralista, em particular nas pensões, nos impostos, na energia, nos passes sociais e em vários outros domínios”.

Já no passado mês de abril, Marques Mendes afirmou que Centeno não queria voltar a ser ministro das Finanças, tendo como objetivo cargos europeus.

“Taxa Robles” foi um tiro no pé

O antigo presidente do PSD abordou ainda a polémica em torno da apelidada “taxa Robles” sobre a especulação imobiliária, considerando que a mesma só beneficiou o CDS-PP e uma possível maioria do PS.

“Rui Rio deu um tiro no pé com a questão da Taxa Robles”, disse o comentador político, afirmando que o imposto em causa pode levar à fuga do eleitorado para CDS-PP, da mesma forma que a proposta do BE pode contribuir para uma maioria socialista.

Para Marques Mendes, as declarações de Rio foram precipitadas. “Rio foi precipitado. Apela à estabilidade mas depois esquece-se da estabilidade quando lhe põem um microfone à frente. E fala de Orçamento quando disse que não o faria”, criticou.

No final de toda a polémica, o PS e o CDS-PP foram os principais beneficiados: “Foi uma grande semana para o PS e para o CDS. O PS deu mais um passo rumo à maioria absoluta, porque a classe média assusta-se com estas propostas do Bloco de Esquerda e com a hipótese de o partido ir para o governo e prefere votar no Partido Socialista. E para o CDS porque os descontentes preferem não votar no PSD”, disse.

Marques Mendes insistiu, uma vez mais, na recondução da Procuradora Geral da República. Joana Marques Vidal deve ser reconduzida uma vez que “teve um mandato considerado positivo e porque a generalidade dos partidos já se expressaram favoravelmente, quer em relação à recondução, ou por considerarem que fez um bom trabalho”, rematou.

Fonte: ZAP

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