Tiago Petinga / Lusa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa

O secretário-geral do PCP defendeu neste domingo que “não há soluções” para o país com governos do PS. No discurso de encerramento da Festa do Avante, Jerónimo de Sousa atacou também a direita, deixando um claro apelo ao voto.

“Está também à vista que, para pôr o país a avançar a sério, para dar solução aos problemas acumulados, se exige uma outra política e um outro governo. A resposta estrutural aos problemas do país não se faz com o governo do PS nem com a sua atual política, amarrado às opções de política de direita”, afirmou o líder comunista no comício de encerramento da 42.ª edição da Festa do Avante!.

Num discurso de quase uma hora, Jerónimo de Sousa dedicou grande parte do discurso às questões económicas e de desenvolvimento do país.

Perante milhares de comunistas, no Palco 25 de Abril, advertiu que “dar mais força ao PS é mais espaço à política de direita, andar para trás na defesa de reposição de direitos que só foram possíveis exatamente por o PS não ter a força que ambiciona”.

Jerónimo de Sousa advertiu o PS de que “não vale a pena enfeitar-se com alguns dos avanços que foram alcançados nestes três anos”, avanços que valorizou, apesar de “limitados”, sustentou.

O líder comunista disse que o “que se avançou” foi conseguido porque o Partido Socialista “não tinha os votos, para, sozinho, impor a política de sempre”, e considerou que cativações e atrasos na regulamentação são alguns dos “expedientes” usados pelo governo PS para adiar, limitar ou mesmo não concretizar os “avanços” conseguidos.

“O secretário-geral do PS afirmou há dias que não há governo de esquerda sem o PS. O que os portugueses sabem é que sempre que o PS foi governo o que houve foi política de direita”, acusou.

Críticas à direita

Críticas ao CDS e ao PSD também pontuaram o discurso de Jerónimo de Sousa, que defendeu que, destes partidos, só há a esperar “retrocesso social”.

“A senhora Cristas veio dizer que há as esquerdas encostadas, bem podíamos dizer que, na matéria da legislação laboral, o CDS foi de peito aberto a acordar as alterações negativas” com o PS, criticou. “Aqui é que se encostam para proteger a política de direita”, acusou.

Entre os principais problemas do país, Jerónimo de Sousa destacou que a “perspetiva do pagamento só em juros da dívida pública de 35 mil milhões de euros nos próximos cinco anos diz da imperiosa necessidade e urgência de procurar outro caminho”.

Como “questão estratégica” que “continua ignorada como prioridade pelo governo minoritário do PS” é o “grave défice produtivo nacional” e o défice alimentar, um dos maiores da Europa.

O líder comunista contrariou a tese do PS de que “é possível dar solução aos problemas do país e assegurar o seu desenvolvimento submetido às imposições da União Europeia e do Euro e amarrados a uma dívida insustentável”.

“Nada mais falso”, acentuou, exigindo a “recuperação da soberania monetária” e a libertação do país “da subordinação ao Euro”, rematou.

Por tudo isto, e ciente de que as legislativas se realizam daqui a cerca de um ano, Jerónimo de Sousa apelou claramente ao voto no seu partido.Para o comunista, é necessário que os portugueses tomem “consciência da importância de dar mais força à CDU com o seu voto”, afirmando que o PCP “é a única alternativa” à atual política.

Fonte: ZAP

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