A eurodeputada Maria João Rodrigues está a ser investigada por assédio moral pelo Parlamento Europeu, depois de nove queixas de um funcionário.

A investigação foi aberta, conta o Politico, depois de nove queixas separadas de um mesmo funcionário, que acusa a socialista de tentar reduzir as horas de trabalho e o salário de uma assistente que tinha estado em licença de maternidade.

Maria João Rodrigues é também suspeita de ter pedido a um funcionário em baixa médica para trabalhar durante a noite e de ter exigido a outros que trabalhassem muitas mais horas além do horário laboral.

Em declarações ao mesmo jornal, a eurodeputada portuguesa confirmou que “há uma queixa de um assistente” relacionada com “compreensões diferentes dos deveres profissionais de um assistente parlamentar”.

“Este é um procedimento padrão para lidar com situações como esta e definir uma boa solução, mas precisamos de esperar pelo resultado final”, acrescentou a socialista, uma das mais respeitadas e tida como garantida pelo PS nas próximas eleições europeias.

O Politico descreve a eurodeputada como a principal coordenadora do trabalho do grupo partidário em matéria de “política social, era digital e desigualdades”. “Tem desempenhado um papel essencial em elaborar a plataforma centro-esquerda para as eleições do Parlamento Europeu em maio”, descreve o jornal.

Maria João Rodrigues é também a vice-presidente da Aliança Progressiva de Socialistas e Democratas, o segundo maior grupo no Parlamento Europeu. O primeiro é o Partido Popular Europeu.

Segundo o Parlamento, o assédio psicológico acontece perante casos de “conduta imprópria” que seja “repetitiva ou sistemática e envolva comportamento físico, linguagem falada ou escrita, gestos ou outros atos que sejam intencionais e que possam minar a personalidade, dignidade ou a integridade física ou psicológica de qualquer pessoa”.

São essas acusações que Maria João Rodrigues enfrenta, após queixas feitas em junho de 2018. Já várias pessoas foram entrevistadas no âmbito da investigação.

De acordo com o Expresso, Maria João Rodrigues é acusada de causar “uma sensação de medo e de humilhação permanentes”, de ter “acessos de fúria constantes e injustificados”, de pressionar as assistentes para que “não engravidem ou abdiquem de parte do salário se o fizerem” e de fazer “ameaças de represálias para quem ousa contestar as regras impostas”.

As denúncias estão agora a ser investigadas pelo Comité de Assédio do Parlamento Europeu, num processo que, segundo o semanário, conta com quase 100 páginas.

Eurodeputada nega “categoricamente” acusações

À TSF, a eurodeputada explica que a assistente em questão queixa-se de que Maria João Rodrigues lhe telefonava “depois das 17h”, algo que a eurodeputada confirma ter feito.”Verificou-se quando eu tinha um problema de viagem com alguma alteração de planos ou necessidade remarcar um avião“, sendo que esta assistente era responsável pela gestão dos transportes e agenda.

“Terei recorrido a ela umas 6 ou 7 vezes por ano, mas ela entende que isso vai além da sua obrigação profissional”, esclarece. “Também se queixa de que a pressão do trabalho era elevada. É, sem dúvida, elevada”, reconhece a eurodeputada.

Perante estas acusações, Maria João Rodrigues é clara ao negar “categoricamente certas versões” noticiadas pela imprensa, reforçando que o seu depoimento é o que deu à mesma rádio e que tem “todas as condições para comprovar” o que diz.

Fonte: ZAP

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