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“Golpe de estado”. Montenegro é candidato para salvar o “PSD frouxo” de Rio

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Mário Cruz / Lusa

O ex-líder parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro

Luís Montenegro cumpriu o que se tinha anunciado e avançou a sua candidatura à liderança do PSD, desafiando Rui Rio a “não ter medo” de convocar já eleições e de se recandidatar. Rio ainda não reagiu, mas a vice-presidente do PSD, Isabel Meireles, fala em “golpe de Estado”.

Numa declaração sem direito a perguntas, Montenegro criticou duramente o PSD de Rui Rio, considerando que esta direcção está a levar o partido para “o abismo” e para “uma derrota humilhante” nas eleições, “deixando de ser um grande partido nacional” para se tornar num partido “pequeno e irrelevante”.

“É preciso e urgente mudar este estado de coisas” e “salvar o PSD do caminho para o abismo em que está mergulhado”, frisou perante os jornalistas, antes de se anunciar como candidato à liderança do partido.

Montenegro desafiou Rio a mostrar “coragem” e a marcar eleições antecipadas de imediato. “Não tenha medo do confronto”, atirou ao presidente do PSD, desafiando-o também a não se justificar “atrás de questões formais” para não o fazer.

Rui Rio ainda não reagiu a estas declarações e espera-se que só tome uma posição oficial em Coimbra neste sábado, onde haverá um Conselho Extraordinário Nacional do PSD.

Depois da conferência de imprensa de Montenegro, foi anunciada uma reacção da direcção do PSD, mas a vice-presidente do partido, Isabel Meireles, surgiu a sublinhar que manifestaria a sua posição “pessoal”.

Antes já tinha antecipado em declarações à Agência Lusa, que o anúncio de uma candidatura de Montenegro seria um “golpe de Estado” que prejudica o PSD e o país, prometendo que a direcção vai cumprir “à risca” os estatutos sociais-democratas.

Isabel Meireles acusou ainda Montenegro de ter “um plano arquitectado do passado” com vista a “salvar as pessoas que o rodeiam e a ele próprio”. “Ele mente porque disse no ano passado que só faria oposição ao senhor António Costa, ao Bloco de Esquerda e ao PCP”, apontou ainda, acusando “o tom de politiqueiro de quem só diz mal”.

Montenegro já falou como candidato a primeiro-ministro

Na sua declaração no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Montenegro traçou um quadro negro da situação actual do partido, falando de “um PSD frouxo a fazer oposição” e onde “não há uma crítica do Dr. Rui Rio a António Costa”.

“O estado a que o PSD chegou é mau, é preocupante e é irreversivel com esta liderança”, salientou, frisando que Rio “falhou” nas diversas promessas que fez.

“Rio prometeu fazer do PSD uma alternativa e uma oposição firme ao Governo”, mas “não se lhe reconhece um projecto, uma estratégia, um posicionamento, uma mensagem diferenciadora e mobilizadora”, disse.

“Rio prometeu unir o PSD”, mas “foi instigador do confronto interno, hostilizando quadros e estruturas do PSD, numa lógica de divisão entre os bons e os maus”, acrescentou Montenegro. “Prometeu fazer o PSD subir nas sondagens” e também “falhou”, já que estas “nunca como hoje foram tão baixas“, frisou.

“Rio prometeu levar o PSD a ganhar eleições e em vez disso resignou-se e deitou a toalha ao chão”, lamentou ainda.

Montenegro acusou também a actual direcção de colocar o PSD como “muleta do PS” e “Rui Rio como bengala de António Costa“.

“Tudo isto é mau porque a democracia precisa de uma oposição como deve ser, firme e determinada, capaz de mobilizar os portugueses, com missão e espírito ganhador”, vincou Montenegro.

“Não me resigno a um PSD pequeno, perdedor, irrelevante, sem importância política e relevância estratégica”, justificou o antigo deputado. “Estou aqui para dizer ao país que precisamos de um Governo novo e de um novo primeiro-ministro” e “para ser o adversário que o dr. António Costa não teve ao longo do último ano”, atirou ainda.

E já num discurso como candidato a primeiro-ministro, Montenegro realçou que pretende “lutar com toda a força pelo interesse nacional e pelo futuro de Portugal”. “Estou aqui para galvanizar os portugueses em torno de um tempo de esperança”, notou, dirigindo-se a empresários, trabalhadores, aos mais desfavorecidos, aos reformados e aos jovens.

Fonte: ZAP

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