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Maduro é o presidente mais incompetente do Mundo (e a Economist explica porquê)

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jeso.carneiro / Flickr

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, empossado pela segunda vez como presidente da Venezuela a 10 de janeiro, em meio a uma polémica sobre a legitimidade das últimas eleições, foi considerado pela Economist o governante mais mal sucedido do mundo.

Segundo avançou a BBC no dia seguinte à tomada de posse, Nicolás Maduro foi “duramente criticado” na última edição da revista britânica, que considera como “único talento” do “herdeiro político de Hugo Chávez” a capacidade de manter o próprio poder com o uso de medidas “ditatoriais”.

A Economist baseia-se em dados sobre economia, saúde e imigração para chegar à conclusão sobre a “incompetência” de Maduro, setores onde encontram-se a forte desvalorização da moeda local – o bolívar soberano -, a queda acentuada do PIB, a diminuição na produção de petróleo e o aumento da mortalidade e do número de pedidos de asilo por venezuelanos que fogem do país.

De acordo com o artigo da BBC, Hugo Chávez teve “sorte” durante os 14 anos de governo, porque o preço do petróleo no mercado internacional estava alto e o mesmo pode utilizar os designados “petrodólares” para financiar desde programas sociais até importações de “praticamente tudo que era consumido no país”.

Contudo, em 2014, o preço do petróleo caiu, devido à recusa do Irão e da Arábia Saudita (outros dois dos grandes produtores) em assinar um compromisso para reduzir a produção. Outros fatores que contribuíram para essa queda foram a desaceleração da economia chinesa e o crescimento, nos Estados Unidos (EUA), do mercado de produção de óleo e gás pelo método “fracking” – fraturamento hidráulico de rochas.

Além disso, a Venezuela sofreu uma “queda significativa” na produção, o que sugere que erros de gestão foram cometidos pelo governo.

Quando Hugo Chávez assumiu pela primeira vez a liderança do país, em 1999, a produção de petróleo era de mais de 3 milhões de barris por dia. Atualmente, é de cerca de 1,5 milhões, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), registando-se como o pior nível em 33 anos.

De acordo a Economist, citada pela BBC, Hugo Chávez e Nicolás Maduro “pilharam” a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). “O declínio da PDVSA acelerou durante o governo Maduro, que indicou para presidente da empresa um general sem experiência na indústria de petróleo”.

A revista britânica afirma ainda que a Venezuela produz menos petróleo hoje em dia do que em 1950, tendo o volume de barris ‘per capita‘ voltado aos níveis de 1920.

A queda do PIB para metade e a falta de produtos

O artigo esclarece também que, para continuar a pagar aos credores internacionais, Nicolás Maduro cortou nas importações, levando o país, onde moram de 30 milhões de pessoas, a uma carência de produtos básicos.

O presidente “manteve o valor do bolívar artificialmente alto, em tese, para permitir a importação de bens essenciais. Na realidade, o regime negou aos importadores honestos acesso a dólares baratos, fornecendo esses recursos a pessoas leais ao regime, alguns dos quais se tornaram bilionários”, afirma a publicação.

Nicolás Maduro, continua a revista, respondeu à crise com “desvalorizações inadequadas da moeda ou políticas públicas que pioraram as coisas, como o controlo de preços”. O resultado foi uma inflação extremamente alta.

Com base em dados das Nações Unidas sobre mortalidade infantil, a Economist refere que essa subida da inflação provocou uma subida da renda, com a pobreza a aumentar nos últimos anos. Em 2017, o índice de pessoas na linha da pobreza chegou a 87%, um aumento de 40% em três anos.

Com a crise, a rede de suporte social e as infraestruturas médicas deterioraram-se, havendo falta de equipamentos e medicamentos básicos nas farmácias e nos hospitais. O número de mortes infantis a cada grupo de cem mil nascidos vivos tem aumentado constantemente desde 2014.

“O fornecimento de energia e água falha por causa de corrupção, da falta de investimentos e da falta de trabalhadores. A violência aumentou e o sistema de saúde entrou em colapso”, resume a revista britânica.

A imigração durante é outro dos fatores que mostram, para a Economist, a incompetência do presidente, com tendo três milhões de pessoas deixado a Venezuela, a maioria para países vizinhos – Colômbia, Chile, Argentina, Peru, Equador e Brasil.

Perda de apoio interno e internacional

Os problemas económicos e sociais e a adoção de medidas consideradas autoritárias – como a prisão de oponentes -, fizeram com que Nicolás Maduro perdesse o apoio até dos aliados. Atualmente, conta com a Suprema Corte, mas sofre forte oposição no Legislativo.

Ainda este mês, Christian Zerpa, juiz da Suprema Corte venezuelana, aliado do presidente, fugiu do país. Em Miami (EUA), contou que o presidente manipulava o tribunal e dava ordens aos juízes.

Internacionalmente, mais de 10 países não reconhecem a presidência de Nicolás Maduro. O Peru, inclusive, uniu-se aos EUA na proibição à entrada de membros do governo no país para realização de transações financeiras.

Fonte: ZAP

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