Eduardo Costa / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

As prioridades para a aplicação dos fundos europeus aprovados no Conselho Europeu devem ser alvo de um debate na sociedade, uma vez que “o dinheiro é de todos” os portugueses, defende o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Tudo tem o direito a falar sobre isso. Os sindicatos, os patrões, as universidades, as entidades da sociedade civil, todos têm o seu contributo a dar, porque o dinheiro é de todos”, considera Marcelo Rebelo de Sousa à margem da visita à família e à corporação do bombeiro voluntário falecido no sábado, em Leiria.

O dinheiro não é do Governo, nem da oposição, nem do partido A, B ou C. O dinheiro foi obtido pelos portugueses para os portugueses, que têm o direito a dizer uma palavra sobre esse dinheiro”, refere ainda.

O Presidente da República considera que o resultado do Conselho Europeu, que atribui a Portugal mais de 45 mil milhões de euros, é “um acordo excepcional”.

Apesar de “não ter sido o ideal, esteve muito próximo porque os Estados não foram afectados”, sublinha.

“O corte que houve nos subsídios foi sobretudo para actividades da Comissão Europeia, não naquilo que cabia a cada Estado”, diz ainda, notando que foi “excepcional pelo montante”.

Nunca Portugal recebeu tanto dinheiro para um período como este. Quem diz Portugal, diz todos os países da União Europeia. É uma oportunidade única, mas é também uma responsabilidade: saber utilizar bem este dinheiro”, sublinha Marcelo Rebelo de Sousa.

Segundo o Presidente da República, “há duas maneiras de utilizar o dinheiro: uma é olhar para o dia seguinte” e é preciso fazê-lo “com outros fundos de emergência para tapar buracos de emergência”.

“Depois, com este dinheiro, olhar para o dia seguinte é olhar para o país que queremos construir para daqui a 3, 5, 10, 15 anos. Onde é que vamos investir nas infraestruturas, nos transportes, no apoio às formas de criação de riqueza, nas questões que têm a ver com a vida dos portugueses e em todos os aspectos também sociais”, adianta Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado considera que “este dinheiro permite que se olhe mais longe”.

“Espero que haja a noção de que isto é irrepetível: não volta a haver nos próximos longuíssimos anos uma oportunidade como esta, portanto não pode ser perdida”, reforça.

A prioridade “deve ser definida num debate amplo, em que o Governo tem um papel importante, mas o Parlamento e os partidos em geral, e os parceiros económicos e sociais e os portugueses” também.

“O dinheiro dá para olhar para várias prioridades, agora é preciso escolhê-las bem. É preciso fazer o calendário e executar bem. Espero que isso seja possível, porque começa já no dia 1 de Janeiro do ano que vem. Vai ocupar 2021, 2022, 2023 e por aí adiante. Se arrancar bem é mais fácil depois continuar bem”, diz ainda Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre o plano do consultor do Governo, António Costa e Silva, o Presidente da República entende que é uma “base” e “uma visão para um debate na sociedade portuguesa“.

“Depois desse debate há de sair uma estratégia. Estratégia quer dizer uma visão mais específica e mais concreta daquilo que é preciso fazer e depois definir as prioridades. Isto é uma base de discussão, agora é preciso que haja a discussão, que todos participem nela, pois isto diz respeito à vida de todos: os que vivem hoje e os que vão viver nos próximos anos e nas próximas décadas”, refere ainda.


Fonte: ZAP

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