José Sena Goulão / Lusa

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, admitiu que as negociações com Bruxelas relativamente ao plano de reestruturação da TAP vão ser duras, embora permaneça otimista.

“Temos de encontrar o equilíbrio entre a reestruturação que garanta condições de viabilidade à empresa e uma determinada dimensão que não retire capacidade de dar à economia aquilo que achamos que pode dar. Este equilíbrio não é fácil e vamos ter de o encontrar em negociação com a Comissão Europeia, que será inevitavelmente uma negociação dura. Não tem é de ser o filme de terror que alguns dizem”, disse Pedro Nuno Santos em entrevista ao Jornal de Negócios.

Na eventualidade de o plano não ser aceite, “a empresa corre o risco de ser liquidada”, realça o governante, alertando que “isto é uma coisa séria”.

“Provavelmente se a possibilidade de nacionalizar não fosse credível não tínhamos conseguido fechar o acordo. Estivemos perto. O decreto de nacionalização estava preparado para ser aprovado em Conselho de Ministros”, disse Pedro Nuno Santos.

O ministro disse ainda que se David Neeleman tivesse vendido a sua participação à Lufthansa, no início do ano, teria feito um encaixe financeiro muito maior. “A avaliação que o comprador fez da TAP não tem nada a ver com o que estamos a falar”, salientou.

Feitas as contas, o ministro das Infraestruturas admite que este não é um bom negócio para ninguém. “Nós ficamos com 72,5% de uma empresa que caiu muito. Não vale nada. Porque é que pagamos? Porque há um conjunto de direitos e cláusulas que teriam de ser disputadas”, explicou.

Se Neeleman foi um osso duro de roer na mesa de negociações, o seu parceiro Humberto Pedrosa, dono do grupo Barraqueiro, teve uma postura bem diferente.

“David Neeleman nunca esteve disponível para aceitar as condições que o Estado exigia e Humberto Pedrosa esteve disponível desde a primeira hora. Se David Neeleman tivesse a mesma posição que Humberto Pedrosa desde o início, não ficávamos com 72,5%. Humberto Pedrosa foi, em todo este processo – e digo isto à vontade porque sou um ministro à esquerda -, um empresário patriota. Percebeu o que estava em causa e não exigiu nenhum encaixe financeiro”, disse ao Negócios.

Fonte: ZAP

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