Miguel A. Lopes / Lusa

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes

O líder da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), João Vieira Lopes, arrasou o documento desenhado por Costa Silva para a recuperação da economia.

Em entrevista ao semanário Expresso, João Vieira Lopes referiu que o plano de Costa Silva “tem uma visão estreita, antiquada e errada da economia” e que, ao contrário do que o próprio nome indica, “nem é um plano de retoma económica”.

Além disso, o líder da Confederação do Comércio e Serviços (CCP) apontou que Costa Silva não teve em consideração os setores do turismo, comércio e serviços que “representam 70% do PIB e 60% das empresas nacionais”. “Um absurdo.”

Esta quarta-feira, o responsável reuniu-se com o Presidente da República para deixar nas mãos de Marcelo rebelo de Sousa um conjunto de queixas sobre a forma como o Governo está a lidar com os impactos da pandemia na economia.

Vieira Lopes entende que “houve um grande falhanço” na previsão do impacto do desconfinamento nas grandes cidades e “uma certa fé em que bastava abrir um pouco as comportas, que a economia crescia e andava sozinha”.

“As quebras de receitas são grandes – atingem médias de 40% no comércio e na restauração nem se fala”, enquanto o desemprego dispara, disse, acrescentando que o Governo tenta responder com um plano que tem “muitas limitações”, desde logo porque se concentra “na política industrial, omitindo claramente o comércio, serviços e turismo”.

“Estas áreas, que representam 70% do PIB e 60% das empresas, merecem três parágrafos, na página 47 do plano de Costa Silva.”

O líder da CCP admitiou ao Expresso que só falou com o consultor do Governo “na véspera da apresentação pública do documento”. Com a Confederação do Turismo, Costa Silva nem sequer falou, mas já com a CIP e a CAP houve encontros “um mês antes” de o plano estar concluído.

Vieira Lopes entende que o “apagão” do Comércio e Turismo dos planos de retoma é “o resultado de uma conceção antiquada e errada do que é a economia no século XXI”. “É uma visão estreita de quem continua a ver a indústria transformadora como motor da economia, quando a cadeia de valor é hoje completamente diferente.”

Sobre o novo modelo encontrado pelo Governo para substituir o lay-off simplificado, o líder da CCPdiz que é “preocupante”, uma vez que vem dificultar “um sistema que já estava rodado”, obrigando as empresas a “recomeçar tudo do princípio”.

Mas o pior é que o pacote de novas medidas é “desadequado”. “”Eram medidas que poderiam ter sentido se a retoma fosse mais acelerada. Não está a ser. A preocupação é saber se vamos chegar inteiros até surgirem os famigerados fundos europeus.”


Fonte: ZAP

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