Mário Cruz / Lusa

O Executivo de António Costa tinha “muita curiosidade” em conhecer a auditoria à ação do Banco de Portugal na resolução do BES, quando Mário Centeno ainda integrava o Governo. Agora, o Banco de Portugal recusa divulgar o documento.

Num debate quinzenal, em resposta a Catarina Martins, António Costa assumiu que o Governo tinha muita curiosidade em conhecer a auditoria à ação do Banco de Portugal (BdP) na resolução do BES. Na altura, o primeiro-ministro contava com Mário Centeno à cabeça da pasta das Finanças.

Agora, enquanto governador do Banco de Portugal, Mário Centeno recusa divulgar esse mesmo relatório. Segundo o Expresso, a recusa chegou ao Bloco de Esquerda esta quarta-feira, numa carta assinada por José Queiró, secretário-geral do BdP, que adiantou que o documento não pode ser revelado porque se encontra “sujeito a dever de segredo“.

A missiva aponta ainda que a violação desta norma implicaria uma violação no Código Penal, pelo que “o Banco de Portugal encontra‐ se impedido de proceder ao envio”.

A carta é uma resposta a um requerimento enviado pelo BE no final de julho, que exigia a divulgação dos resultados da auditoria interna à atuação do próprio regulador na resolução do BES.

O Bloco de Esquerda argumentou que, ao contrário da posição de Carlos Costa – que defendia que a auditora era “um documento interno, para uso interno, pedido pelo governador” -, Mário Centeno deveria manter a posição do Governo que integrou e revelar o documento.

A autoridade que decidiu a resolução bancária do BES foi o Banco de Portugal. Dado que a  resolução do BES foi experimental, os partidos têm insistido na tentativa de perceber como é que o próprio banco viu a sua atuação naquele caso, mas sem sucesso.

PS admite comissão de inquérito ao Novo Banco

Depois de o Bloco ter dito que iria propor uma comissão de inquérito ao Novo Banco, foi a vez do PS seguir o mesmo caminho. “O PS pondera propor um inquérito parlamentar” ao Novo Banco, disse João Paulo Correia, coordenador dos socialistas na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, ao Expresso.

Para que o processo avance, é preciso acabar de estudar o relatório de auditoria que chegou aos deputados. “Essa ponderação tem a ver com a análise detalhada da auditoria que ainda está a decorrer”, acrescentou o deputado. Contudo, falta ainda conhecer as partes que foram classificadas como confidenciais e receber do Governo a “chave de descodificação” quer permitirá aos deputados ligar credores a créditos.

O PS não quer que a comissão de inquérito se concentre apenas no período do Novo Banco, mas que vá ao período de Ricardo Salgado enquanto presidente do BES, avança ainda o semanário. João Paulo Correia referiu ainda que 90% das perdas de quatro mil milhões do banco ocorreram ainda antes de este ser resolvido pelo Banco de Portugal.

“Tem de ter um objeto mais amplo, que recue ao tempo do BES. É importante analisar a resolução e a venda de 2015”, rematou.


Fonte: ZAP

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