Nuno Fox / Lusa

O ministro das Finanças, João Leão

O ministro das Finanças, João Leão, afirmou esta quarta-feira, em entrevista à RTP3, que o Governo quer aumentar o salário mínimo em 2021, mas avisou que “o pior ainda está por vir”.

Em entrevista à RTP3, o ministro das Finanças, João Leão, começou por mostrar-se confiante na aprovação do Orçamento de Estado para 2021 (OE2021). O ministro revelou que as negociações com os outros partidos estão a correr “bastante bem” quanto a um “Orçamento de esquerda” que “não acrescenta crise à crise”.

Em relação aos principais pontos estratégicos para o OE2021, João Leão disse que o objetivo é que, “no próximo ano, a economia recupere o mais possível da queda deste ano. É muito importante manter e contribuir para a recuperação da confiança e das expectativas das famílias. Isso é fundamental”, explicou.

“Não tencionamos aumentar os impostos”, afirmou o ministro. “A grande prioridade é a recuperação da economia, recuperação do emprego e a proteção de rendimentos de uma forma responsável”.

João Leão disse não estar “obcecado com excedentes”, uma vez que a “grande prioridade” é a de recuperar a economia, o emprego e os rendimentos de forma “responsável” para que o país continue a beneficiar de taxas de juro baixas.

Relativamente ao aumento de rendimento exigidos pelos partido da esquerda, o ministro das Finanças revelou que o Governo de António Costa tem intenções de “prosseguir com o aumento do salário mínimo” em 2021, acrescentando que “o mundo mudou”, não adiantando, por isso, o valor previsto.

Ainda assim, João Leão prometeu um diálogo em concertação social sobre como prosseguir o aumento do salário mínimo nacional, reconhecendo que “deve haver um aumento com significado”.

Quanto aos salários da administração pública, o ministro afirmou que haverá uma subida superior a 2% da massa salarial devido às progressões e à recuperação do tempo de serviço dos professores e das carreiras especiais.

A União Geral de Trabalhadores (UGT) pretende um aumento de pelo menos 35 euros e a CGTP reitera a proposta de que chegue aos 850 euros num curto espaço de tempo.

João Leão admitiu que todos os partidos têm as suas prioridades, mas está convencido de que o OE2021 será aprovado com o “mesmo tipo de apoios parlamentares” dos orçamentos anteriores.

No desemprego, “o pior ainda está para vir”

O ministro das Finanças referiu que a economia portuguesa já bateu “no fundo” e que o terceiro trimestre trouxe sinais de recuperação – “acima do que estávamos à espera”.

“Os pagamentos por multibanco, o indicador mais avançado que temos, durante a pandemia chegaram a cair cerca de 40%, agora a partir de julho têm estado estabilizados face ao ano anterior, já recuperaram significativamente”, disse.

Além disso, “a construção mantém um bom ritmo e temos estado a recuperar significativamente as exportações.”

João Leão também disse que as receitas do IRS, “depois de quedas muito acentuadas desde abril, tiveram em agosto um aumento face ao ano anterior” de cerca de 1%.

Porém, ao nível do desemprego, João Leão admite que “o pior ainda está para vir” e antecipa que o a taxa de desemprego permaneça entre os 9% e os 10% em 2020 e em 2021.

O ministro avisou ainda que se vivem “momentos de grande incerteza”, lembrando que a “evolução da economia vai depender muito da evolução da pandemia”. “A pandemia e toda a Europa está a evoluir num sentido pior do que o esperado. Temos de ter presente que são cenários de grande incerteza e a evolução da economia vai depender muito da evolução da pandemia.”, rematou.


Fonte: ZAP

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