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EconomiaPolítica

Independentemente da pandemia, aeroporto do Montijo é para avançar

Redação
Last updated: 1 Julho, 2020 14:30
Redação
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ANA / VINCI Aeroportos

Projeto para novo Aeroporto no Montijo

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, assegurou esta terça-feira que o aeroporto do Montijo é para avançar e que não será travado pelo impacto da pandemia no setor da aviação.

No debate em que a intervenção do Estado na TAP esteve no centro da discussão, Pedro Nuno Santos disse que “o Montijo deve avançar” e que a expectativa é a de que o setor da aviação recupere. “Temos de dar resposta à lotação do Humberto Delgado”, afirmou o ministro sublinhando, no entanto, que a construção de um novo aeroporto está dependente dos pareceres favoráveis dos municípios que serão afetados pela infraestrutura.

Ainda assim, não será a pandemia a colocar um travão na construção do novo aeroporto. “São necessários pareceres dos municípios e há uma parte dos municípios da área afetada pelo aeroporto [do Montijo], positiva e negativamente, que ainda não mudaram a sua posição. […] Temos este bloqueio que falta resolver”, admitiu o ministro na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação.

“Em última instância, precisaríamos obviamente do parlamento para repensar a forma como se decide e se condiciona a decisão. […] Até agora, não nos pareceu que houvesse disponibilidade para alterar [a lei que obriga a parecer positivo de todos os municípios afetados], por isso, dependemos do parecer favorável de vários municípios”, acrescentou o governante, citado pelo Expresso.

Segundo a Declaração de Impacto Ambiental do aeroporto do Montijo, cinco municípios comunistas do distrito de Setúbal emitiram um parecer negativo à construção do aeroporto (Moita, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Palmela) e quatro autarquias de gestão socialista (Montijo, Alcochete, Barreiro e Almada, no mesmo distrito) deram um parecer positivo.

A ANA e o Estado assinaram o acordo, a 8 de janeiro do ano passado, para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, com um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 para aumentar o atual aeroporto de Lisboa e transformar a base aérea do Montijo num novo aeroporto.

“É inviável” cumprir o distanciamento social nos comboios

Sobre a pandemia de covid-19, o ministro das Infraestruturas afirmou que “é inviável” cumprir com o distanciamento social dentro dos comboios, manifestando-se preocupado com a perda de 12 milhões de euros por mês na CP-Comboios de Portugal.

Pedro Nuno Santos disse que a CP registou, no início da pandemia em Portugal, perdas de 22 milhões de euros por mês, adiantando que, neste momento, com 100% da oferta disponível, desde 4 de maio, no âmbito do início do desconfinamento, “está a perder 12 milhões de euros por mês”.

“Não é por a lotação estar restringida a 2/3, é por falta de procura”, avançou o governante, considerando que é um problema sério que, além do risco de infeção da covid-19, afeta a saúde financeira da CP. Referindo que Portugal é um dos poucos países europeus que têm a lotação restringida nos transportes públicos, Pedro Nuno Santos propôs um debate sobre a medida.

Acusado pelo deputado do CDS-PP João Gonçalves Pereira de estar em “estado de negação com o país” quando nega sobrelotação dos comboios na Área Metropolitana de Lisboa (AML), o ministro respondeu com “dados objetivos” sobre a lotação média nas horas de ponta, indicando que há registo de 35% da capacidade máxima entre Sintra – Alverca, 26% entre Sintra – Rossio, 22% entre Azambuja – Lisboa Santa Apolónia, 26% entre Azambuja – Alcântara e 13% entre Cascais – Cais do Sodré.

“Não quer dizer que, depois, não tenhamos alguns comboios que estejam, neste momento, a rondar os 2/3, e temos alguns comboios nessa situação, e isso, obviamente, é motivo de preocupação, tendo em conta que falamos na limitação da lotação”, ressalvou o governante, advertindo que, à medida que as pessoas regressem ao trabalho, haverá mais pressão sobre os transportes públicos.

Antes da pandemia, os comboios na Linha de Sintra chegavam a circular “com 160% da capacidade”, lembrou Pedro Nuno Santos, explicando que “o problema na Linha de Sintra, infelizmente, tem muitos anos”, e considerando que a responsabilidade deve ser partilhada entre o Governo do PS e o anterior Governo de PSD e CDS-PP.

Assegurando que a maioria esmagadora dos comboios cumprem com a lotação máxima de 2/3, embora reconheça que “isso não quer dizer que as pessoas não sintam que estejam num ambiente de aglomeração”, o governante expôs que a análise sobre situações de sobrelotação “é mais complexa do que olhar para uma fotografia”.

“Não conseguimos num comboio ter um distanciamento social de dois metros, não é possível. Tínhamos o comboio a transportar muito pouca gente, isso é inviável do ponto de vista da CP e é inviável do ponto de vista das necessidades das populações, não é possível fazermos isso, por isso é que isto é uma questão tão delicada”, disse, manifestando abertura para receber todas sugestões para resolver este que “é um problema difícil”.

Entre os 2.000 trabalhadores da CP que operam dentro dos comboios, há registo de três casos de infeção de covid-19, revelou o governante, indicando que não há nenhum caso de infeção entre os 700 trabalhadores de empresas externas de limpeza.

“Não estou a dizer que não haja risco de transmissão no comboio, estou a tentar relativizar a questão, com informação objetiva”, frisou o ministro das Infraestruturas, destacando o reforço da limpeza e higienização dos comboios, que são asseguradas diariamente e, quando possível, mais do que uma vez por dia.

Sobre o possível reforço de comboios na AML, Pedro Nuno Santos disse que a CP e a Infraestruturas de Portugal estão a estudar a alteração de horários, para que se consiga “aumentar marginalmente a capacidade na Linha de Sintra”, trabalho que deve estar concluído em setembro, porque mexe com os horários de toda a rede ferroviária nacional.

Fonte: ZAP

TAGGED:aviaçãoDestaqueEconomiaGovernopolítica
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