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“Professores furiosos? Não me parece tanto assim”, diz Centeno

Paulo Vaz Henriques / Portugal.gov.pt

O ministro das Finanças, Mário Centeno

O ministro das Finanças afirmou que o atual Governo é um dos que mais respeitou o estatuto das carreiras dos docentes, acrescentando que não lhe parece “tanto assim” que os professores estejam furiosos.

O mês de junho foi conturbado para professores e Governo. Apesar disso, Mário Centeno defende que o Executivo não faltou a nenhum compromisso, afirmando também que “há mais de 14 anos que nenhum Governo respeita tanto” as carreiras dos docentes como o atual Executivo socialista, de acordo com a TSF.

Questionado sobre a eventual fúria dos professores, o ministro das Finanças respondeu: “Não sei se os professores estão furiosos. Furiosos? Não me parece tanto assim. Agora, é preciso explicar e é preciso que todos entendamos”, afirmou o governante.

Centeno falava no ciclo de entrevistas públicas 30 Portugueses, 1 País, em Lisboa, no qual admitiu que o descongelamento das carreiras – dos professores e de outros profissionais – é uma das medidas mais difíceis de implementar por parte do Governo.

“Estamos a falar de descongelar carreiras de 600 mil pessoas. O exercício de informação e o trabalho que isto dá, com dezenas de carreiras distintas – que ainda hoje há na Administração Pública -, todas com questões próprias para resolver, era a medida que, do ponto de vista da sua implementação, era mais difícil, para garantir que houvesse equidade e que a lei fosse respeitada”, disse o ministro.

Centeno esclareceu ainda que este, tal como outros casos, estão relacionados com uma ideia de continuidade, dizendo que o atual Governo respeitou “todas as decisões passadas”. “O que está em causa é respeitar todas as decisões tomadas entre os exercícios orçamentais de 2011 e 2017″, vincou o ministro, que rejeita que haja um clima de grande animosidade entre os docentes e o Executivo socialista.

Mário Centeno acrescentou que, por vezes, o problema está na dificuldade de comunicar: “A comunicação é um desafio e nem sempre é possível que vá certeira e com a mensagem a quem tem de ser dirigida”, disse.

Em sentido oposto, Jerónimo de Sousa, que esteve na terça-feira reunido com os sindicatos de professores, afirmou que o atual Executivo tem uma forma “esquisita” de negociar. No entanto, o “bom-senso” poderá viabilizar uma solução, acredita o secretário-geral do PCP.

“Não vemos razão para que o Governo use uma forma esquisita de negociar que é ‘ou aceitam ou não há nada para ninguém’. Creio que isto não é negociação, esta crispação do Governo e a falta de resposta àquilo que é justo, naturalmente é inaceitável”, explicou no final do encontro.

De acordo com a TSF, Jerónimo de Sousa não acredita que a negociação deva ir para a mesa de negociações do próximo Orçamento de Estado.

“Seria estender uma passadeira vermelha ao Governo admitir alteração dessa matéria no plano da Assembleia da República porque aquilo que está é suficientemente claro, para além de ser justo, e qualquer alteração seria para pior”, explicou.

João Dias da Silva, da Federação Nacional da Educação, foi o porta-voz dos sindicatos nesta reunião, lamentando, à saída da reunião, o que diz ser a falta de compromisso do Governo, mas não afasta o diálogo.

“Existe total disponibilidade e estamos certos daquilo que está escrito no compromisso, que aponta para que até 2023 essa recuperação possa ser feita”, acrescentando que cabe agora ao Governo apresentar uma proposta que vá ao encontro dos anseios dos professores.

Fonte: ZAP