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Rui Pedro é uma das sete crianças na lista da Polícia Judiciária

Rui Pedro, cujo desaparecimento ocorreu há 20 anos em Lousada onde vivia com os pais, é, juntamente com a inglesa Madeleine McCann, uma das sete crianças que constam da lista da Polícia Judiciária sobre pessoas desaparecidas.

Segundo indica a página da Polícia Judiciária, Rui Pedro Teixeira Mendonça, nascido a 28 de janeiro de 1987, em Paredes, desapareceu a 04 de março de 1998. Na altura, com 11 anos, tinha 1,50 metros de altura, cabelo e olhos castanhos e pesava 45 quilos.

Precisamente 15 anos após desaparecimento, a 04 de março de 2013, os desembargadores condenaram o camionista Afonso Dias com uma pena efetiva de três anos, acreditando que ele tinha levado Rui Pedro a Alcina Dias, prostituta, cujo depoimento foi alegadamente desvalorizado em Lousada, por entrar em contradição com aquilo que tinha sido investigado em 1998.

Afonso Dias, já depois de sair da cadeia, continuou a clamar inocência, garantindo nunca ter sabido o que aconteceu a 04 de março de 1998, dia em que Rui Pedro, seu amigo, desapareceu.

Outro desaparecimento cujo mistério não chegou a ser desvendado é o da criança inglesa Madeleine McCann, natural de Leicester, que desapareceu a 03 de maio de 2007 do quarto do hotel Ocean Club, Lagos, Algarve, onde passava férias com os pais e os irmãos gémeos.

A rapariga, que tem olho esquerdo azul e verde e o olho direito com mancha castanha na íris, sendo por isso facilmente identificável, nunca apareceu, apesar dos esforços das polícias portuguesa e inglesa e de toda a cooperação judiciária internacional.

Das sete crianças que constam da lista de desaparecidos, o caso mais antigo remonta a 28 de janeiro de 1990, quando desapareceu Hélder Alexandre Ferro Pagarim Cavaco (nascido em 1973), natural de Santiago do Cacém. Desapareceu na zona da praia de São Torpes. Era praticante de surf e vestia calças e blusão de ganga azul.

Outro dos casos mais antigos reporta-se a 13 de maio de 1994, quando desapareceu Cláudia Alexandra Silva e Sousa, natural de Oleiros, e que tinha na altura 7 anos.

Filha de uma família pobre de Lamela (Oleiros), desapareceu a caminho da escola, tendo corrido várias versões sobre o seu desaparecimento, mas nenhuma delas foi confirmada.

Por seu lado, Sofia Catarina Andrade de Oliveira, filha de um pescador de Câmara de Lobos, desapareceu a 22 de fevereiro de 2004, com apenas dois anos, num caso em que chegou a haver a suspeita de rapto parental, mas que até hoje permanece em mistério.

Tatiana Paula Mesquita Mendes, uma criança nascida na Guiné-Bissau, foi considerada desaparecida em maio de 2005, depois de ter sido adotada por um casal com a concordância da mãe, tendo a mãe adotiva comunicado que tinha sido entregue por si a uma outra pessoa, ainda em 2004, e que a menina tinha falecido num acidente de viação em Espanha. O seu caso continua a figurar na lista de desaparecidos da PJ. Teria hoje 19 anos.

Rita Slof Monteiro, desaparecida em 17 de fevereiro de 2006, é outro dos rostos da lista de desaparecidos da PJ.

Na altura com 18 anos, Rita Slof Monteiro terá saído naquela manhã de casa para ir ter com as amigas junto ao mercado de Matosinhos para apanharem o autocarro para a escola. Naquele dia tinha uma visita de estudo à Fundação Serralves. Nunca mais apareceu.


CRONOLOGIA: Principais datas relacionadas com o desaparecimento de Rui Pedro

 Os principais momentos do caso Rui Pedro, criança desaparecida a 04 de março de 1998 da Lousada quando tinha 11 anos, e que, duas décadas depois, continua em paradeiro desconhecido.

1998

– 04 março – Desaparece Rui Pedro, criança de Lousada, então com 11 anos de idade. O menor é visto pela última vez após o almoço, por colegas.

– 05 março – PJ inicia investigação do desaparecimento, ouvindo várias pessoas, sem nunca determinar qualquer suspeito, apontando como primeira prioridade localizar o menor.

2004

– Segunda brigada da PJ retoma investigação do desaparecimento, fazendo uma primeira reconstituição dos factos.

2008

– Terceira brigada da PJ inicia investigação do desaparecimento, criando pela primeira vez uma equipa específica.

2011

– 26 fevereiro – Afonso Dias, principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro, há 13 anos, é acusado do crime de rapto agravado.

– 26 maio – O advogado da família de Rui Pedro defende, em debate instrutório, que Afonso Dias seja levado a julgamento.

– 06 junho – A decisão instrutória do processo determina que o arguido vai a julgamento.

– 17 novembro – Afonso Dias começa a ser julgado no tribunal de Lousada. Estão arroladas mais de 60 testemunhas.

O homem acusado do rapto de Rui Pedro recusa-se, na primeira sessão de julgamento, a prestar declarações ao tribunal.

Afonso Dias interrompe o depoimento da mãe de Rui Pedro quando esta falava ao tribunal. Não foi claro o que o arguido disse a Filomena Teixeira, da qual se aproximou. O arguido disse jurar em nome do seu filho, não tendo sido depois percetível o resto da frase, onde se ouviu também uma alusão a Rui Pedro.

– 22 novembro – Primo de Rui Pedro diz no tribunal que foi convidado, conjuntamente com o menor desaparecido, para irem às prostitutas a Freamunde, confirmando a tese da acusação.

– 25 novembro – O tribunal de Lousada observa o local onde várias crianças terão visto, há 13 anos, Rui Pedro entrar para a viatura que se suspeita ser do alegado raptor.

Afonso Dias desloca-se ao Instituto de Medicina Legal, em Penafiel, para se submeter a exames psíquicos no âmbito de uma perícia requerida pela defesa.

– 04 dezembro – A prostituta que alega ter estado com Rui Pedro no dia do desaparecimento do menor reafirma, na reconstituição dos factos no local do suposto encontro, que o menor lhe foi levado pelo arguido.

– 07 dezembro – A defesa de Afonso Dias diz em audiência que o depoimento da prostituta contraria alegadas declarações daquela testemunha à PJ e que isso prejudica o arguido.

– 13 dezembro – O tribunal de Lousada visualiza um vídeo de 2004 com a reconstituição dos factos do dia do desaparecimento de Rui Pedro, no qual Afonso Dias garante não ter estado com o menor na tarde do desaparecimento.

– 14 dezembro – Dois inspetores da Polícia Judiciária que investigaram o desaparecimento de Rui Pedro dizem em tribunal que a prostituta que alega ter estado com a criança deu informações sem credibilidade e que, por isso, não foi aprofundada aquela pista.

2012

– 26 janeiro – O tribunal de Lousada ouve as alegações finais do julgamento de Afonso Dias.

O Ministério Público (MP) e o advogado da família de Rui Pedro requerem alterações aos factos que levaram a julgamento o homem acusado de rapto qualificado da criança desaparecida desde 1998.

– 27 janeiro – O Ministério Público pede uma pena superior a sete anos de prisão para Afonso Dias.

O advogado de defesa de Afonso Dias pede a absolvição do arguido, considerando não ter ficado provado o crime.

– 22 fevereiro – Tribunal de Lousada absolve Afonso Dias por falta de provas. O advogado da família, Ricardo Sá Fernandes, e o Ministério Público recorrem.

2013

– 05 março – Tribunal da Relação do Porto condena Afonso Dias a três anos e seis meses de prisão por crime de rapto, contrariando decisão do Tribunal de Lousada e dando provimento ao recurso da acusação

2014

– 05 de junho – Supremo Tribunal de Justiça confirma condenação de Afonso Dias

2015

– 15 de janeiro – Tribunal Constitucional confirma condenação

– 18 de março – Afonso Dias entrega-se no Estabelecimento Prisional de Guimarães para cumprir pena

2017

– 29 de março – Afonso Dias é libertado depois de ter cumprido dois terços da pena.