A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou, em dezembro do ano passado, em Nova Deli, a segunda Cimeira Global sobre Medicina Tradicional. O evento reuniu ministros, cientistas, líderes indígenas e profissionais de mais de 100 países para debater a integração de práticas ancestrais aos sistemas nacionais, sob rigorosos critérios de evidência científica e segurança.
Segundo a OMS, entre 40% e 90% da população utiliza medicina tradicional em cerca de 90% dos Estados-membros. A organização defendeu padrões de qualidade, segurança e regulação, o uso de tecnologias como inteligência artificial e genómica para validar cientificamente práticas e produtos tradicionais.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a combinação do saber milenar com a ciência moderna é fundamental para cuidados de saúde mais seguros e eficazes.
Durante a cimeira, foi lançada a Biblioteca Global de Medicina Tradicional, com mais de 1,6 milhão de registos científicos para apoiar pesquisadores e reguladores do setor.
As diretrizes discutidas na Índia aplicam-se na prática em regiões de clima rigoroso, como Portugal, onde o frio intenso tem apresentado desafios à estrutura do país nesta altura do ano.
Sofia Lourenço, gestora da Clinibeira em Castelo Branco, na região Centro do país, que relata o aumento de queixas respiratórias e musculoesqueléticas, defende as diretrizes da OMS para salvaguardar vidas em território português.
“O inverno é fator de desencadeamento de resfriados, gripes, sinusite e rinite, além do agravamento de fragilidades musculoesqueléticas”, afirmou esta profissional, que atua há 22 anos na Beira Baixa.
De acordo com Sofia Lourenço, a acupuntura tem sido procurada como terapia complementar para aliviar sintomas durante o rigoroso inverno, em consonância com o debate internacional sobre terapias integrativas conduzido pela OMS.
Ígor Lopes


