Os palavrões ditos pelos alunos do ensino primário (Escola Básica) em Castelo de Paiva estão a causar situações embaraçosas no ambiente escolar, e tem sido um problema recorrente para os professores do concelho.

Relatos de crianças a usar de linguagem de calão baixo já são comuns em Castelo de Paiva. O facto preocupa os educadores, que já buscaram junto aos pais diversas maneiras de reduzir o uso de palavrões pelos pequenos, sem no entanto obter êxito.

Os professores referem que as crianças tem usado palavras proibidas para chamar a atenção e provocar outras crianças, e que, apesar das sucessivas intervenções e conversas com os pais, a situação não apresenta melhora: “Todas as crianças ouvem palavrões. Ouvem-nos dos pais, dos irmãos e dos colegas. É um facto. Na altura de entrarem para a escola, os mais pequenos já têm um vocabulário de asneiras composto por 30 a 40 palavras, o que costumam ser uma preocupação para a grande maioria dos educadores, ainda mais quando as crianças estão a ofenderem-se mutuamente”.

Para além de serem considerados ofensivos, os palavrões fazem parte da linguagem do dia-a-dia da grande maioria das pessoas em Portugal, e são um “hábito”, uma “convenção que se aprende”, mas que preocupam os professores do ensino primário e o filósofo e jornalista Fabiano de Abreu, habitante do concelho, e escritor com livros que são usados como referência e material paradidático no ensino infanto-juvenil no Brasil e universidades africanas.

Escola Básica e Secundária de Castelo de Paiva

O filósofo Fabiano de Abreu alerta que é necessário que o bom exemplo venha dos lares, e que os pais devem estar atentos aos filhos: “não adianta os pais esperarem que a escola resolva a questão, se dentro dos lares não for feito nada, se os pais não intervirem. Os pais deixam os filhos na escola e pensam que a mesma encarregar-se-á de resolver tudo e educá-los. Quando os filhos percebem que estão a receber menos atenção dos pais, então buscam maneiras de chamar atenção, e uma delas é através de palavras de calão baixo, de palavrões. Se calhar querem a atenção da mãe, foram provocados por outra criança, estão chateados com alguma coisa ou, simplesmente querem ver o que o pai ou mãe irão fazer quando a repetirem”, referiu.

O facto que despertou a atenção do filósofo foi que, sua filha, ao passar pela escola, foi xingada pelas crianças que lá estavam. Isso fez com que o mesmo procurasse os professores para participar-lhes o ocorrido: “isto não é uma denúncia, nem tampouco tenho a pretensão de ensinar aos pais como os filhos devem ser criados, mas um alerta para que prestemos mais atenção nas nossas crianças, e no que elas estão a enfrentar como indivíduos”, conclui.

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