Só entre 2013 e 2017, foram registadas 358 vítimas mortais em Portugal por usa de acidentes com tratores. A curva estatística não dá sinais de abrandamento.

Os dados têm colocado Portugal sistematicamente na terceira pior posição da União Europeia no que diz respeito a acidentes com tratores. Não há dados oficiais em relação a 2018, mas só esta semana, por exemplo, foram noticiadas três mortes.

Augusto Ferreira, coordenador técnico da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (Confagri), disse ao Expresso que, “na realidade, Portugal sempre teve uma sinistralidade muito alta neste domínio” e são várias as causas que contribuem para este problema.

Uma delas “é a idade avançada dos nossos agricultores” e o facto de as tarefas agrícolas terem de ser realizadas em intervalos reduzidos de tempo, agravando assim o cansaço físico.

As outras causas, explica augusto Ferreira, resultam de um certo “excesso de confiança” a operar máquinas “que, para todos os efeitos, são perigosas”; decorrem da “falta de formação”; e também do facto de em Portugal o próprio parque de tratores estar demasiado envelhecido.

“Dos cerca de 170 ou 180 mil listados, mais de 50% têm mais de vinte anos”, realça o técnico da Confagri. Isto significa que não dispõem de estruturas de proteção, sejam elas arcos ou cabines, acessórios que se tornaram obrigatórios para os tratores matriculados após janeiro de 1994.

Além disso, em termos geográficos, os dados mostram que há também características muito próprias a potenciar acidentes. O semanário adianta que grande parte deles acontecem em zonas de minifúndio – nos distritos de Bragança, Viseu, Guarda -, onde as parcelas pequenas levam os agricultores a tentarem explorar cada bocadinho de terreno livre, deixando vias de circulação mais estreitas que o recomendável para manobrar um trator, aumentando o risco.

Segundo um documento da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), os tratoristas, “em comparação com os condutores de veículos ligeiros, veem a probabilidade de morte ser aumentada em pelo menos 8 vezes”.

Além disso, “dois em cada três capotamentos de trator são mortais e 70% das vítimas resultam deste tipo de acidente”, lê-se no mesmo artigo.

Fonte: ZAP

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