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Pedras “grátis se for para atirar a um ‘zuca’”. Xenofobia origina processo na Universidade de Lisboa

Um cartaz colado numa caixa de madeira, com pedras lá dentro e com os dizeres “Grátis se for para atirar a um zuca (que passou à frente no mestrado)”, que foi colocado num dos corredores da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa está a indignar os estudantes brasileiros e vai originar um processo disciplinar.

A Universidade de Lisboa (ULisboa) já anunciou que vai abrir um processo disciplinar no âmbito deste caso de comentários xenófobos dirigidos a estudantes brasileiros de mestrado e cuja autoria é atribuída a um grupo de humor e sátira da Faculdade de Direito da instituição.

O caso foi divulgado nas redes sociais, nomeadamente por Flora Almeida, uma estudante brasileira de mestrado, que assegura que na caixa, identificada por outro cartaz como ‘Loja de Souvenirs’, estavam mesmo pedras.

“É inaceitável que uma universidade centenária como a ULisboa aceite tais tipos de actos, que propagam a discriminação entre os povos e raças, além de disseminar a violência“, lamenta ao jornal Público um aluno de mestrado da Faculdade de Direito.

O diário apurou também que o Núcleo de Estudantes Luso-Brasileiros esteve reunido com a direcção da entidade de ensino para manifestar o seu desagrado e para avaliar a situação.

Nas redes sociais, foram divulgadas imagens com protestos de alguns estudantes brasileiros, empunhando cartazes onde sublinham que a “Xenofobia é crime”, pedindo “respeito”.

O reitor da ULisboa, António Cruz Serra, já confirmou à Lusa que vai avançar com um processo disciplinar ao sucedido. “Não é admissível na ULisboa nenhum comportamento de xenofobia e serão tomadas posições para punir exemplarmente os responsáveis”, garantiu o reitor que associa o caso às eleições para a Associação Académica da Faculdade, cujas acções de campanha estão a decorrer.

A Faculdade de Direito também associa o episódio às eleições, conforme comunicado divulgado no perfil do Facebook, realçando que “estão em curso acções de campanha organizadas pelos estudantes” num “espaço de liberdade de opinião e de incentivo à participação cívica responsável, convivendo com a autocrítica, o humor e a sátira”.

Contudo, “não serão toleradas quaisquer acções ofensivas relativamente a alunos” da instituição, sustenta o mesmo documento.

Mas a sub-directora da Faculdade de Direito, Paula Vaz Freire, trata de dissociar o episódio xenófobo das eleições académicas, frisando que foi “uma acção de um grupo que se chama ‘Tertúlia’ que faz acções satíricas à margem da campanha eleitoral”, conforme declarações ao Público.

Paula Vaz Freire também garante que o cartaz foi retirado de imediato da Faculdade e sublinha que esta “repudia quaisquer atitudes impróprias de carácter xenófobo ou discriminatório”. Mas a sub-directora não confirma a abertura de qualquer procedimento disciplinar, destacando que “isso será objecto de uma ponderação mais cuidada e não em cima do acontecimento”.

Fonte: ZAP

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