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Prestes a completar 100 anos, Domingos Teixeira Pereira faz parte da história de Castelo de Paiva

O artesão Domingos Teixeira Pereira foi o responsável pela concepção e obra do Cruzeiro da Independência, que está situado no centro da vila de Castelo de Paiva. O monumento é um dos mais emblemáticos e importantes do concelho.

Domingos Teixeira Pereira

O Largo do Conde está prestes a sofrer uma completa requalificação urbanística, através do projecto que prevê investimento de 1,1 milhões de euros e que foi aprovado pela Câmara Municipal, sendo financiado a 85% pelos Fundos Europeus, e que tem o objectivo de modernizar o espaço, privilegiar a circulação pedonal e evidenciar os monumentos e marcos mais importantes da vila, em especial o Cruzeiro da Independência.

O que poucos sabem é que o Cruzeiro de Castelo de Paiva, marco tão importante do concelho, situado no Largo do Conde é resultado do trabalho de Domingos Teixeira Pereira, que está prestes a completar 100 anos a 11 de Abril de 2020 e representa para todos um exemplo de longevidade e de uma vida dedicada à sua arte e ofício.

Domingos Teixeira Pereira posa com fotografias que representam as gerações de sua família

Este é um dos monumentos mais representativos do concelho e um marco histórico, feito em granito e trabalhado na pedra bruta durante dois meses pelas mãos hábeis do Sr. Domingos, a manipular o cinzel e as demais ferramentas necessárias para o seu ofício. Até hoje as marcas do incansável trabalho podem ser vistas nas mãos do Sr. Domingos, que orgulhosamente as exibe como reconhecimento de seu trabalho e dos tempos áureos da profissão como artesão.

Os tendões e as marcas em suas mãos não deixam dúvidas de uma vida dedicada ao ofício

Impressiona a alegria que o artista responsável por esta importante obra transmite através de cada relato quando se recorda das histórias e daquele tempo. Para além disto, é surpreendente saber que todo o desenho e concepção artística do Cruzeiro foi feito também pelo hábil artista, que refere detalhes sobre o processo: “A pedra usada para a obra veio de barco até o cais do Castelo e foi transportada em um carro de bois até a vila de Castelo de Paiva. Primeiro foram feitos os degraus, depois o pedestal, o entalhe das letras romanas e os demais ornamentos”, contou.

Detalhe das mãos de Domingos Teixeira Pereira

Durante a conversa, o sr. Domingos nos confidencia uma curiosidade sobre o cruzeiro: “Andávamos a trabalhar e de repente um mudo subiu ao topo do cruzeiro e acabou por partir um dos detalhes, quase a arruinar a obra que já estava praticamente concluída. Quando se apercebeu do que fez ficou amarelo como cera e pediu imensas desculpas. Apenas pedi que me arranjasse cola e fiz a emenda do que estava partido e entregamos um trabalho bem feito. Para tentar compensar o que havia feito, foi ao tasco e nos trouxe um garrafão de vinho. Se não fosse a cola, o cruzeiro estaria arruinado”, referiu aos risos.

Foto: Arquivo Pessoal

Com sua arte e trabalho árduo, Domingos Teixeira Pereira, nascido e criado em Castelo de Paiva, orgulha a todos os Paivenses por fazer parte da história do concelho.

Foto: Arquivo Pessoal

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