Manuel de Almeida / Lusa

O site criado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre saúde mental, lançado no sábado, visa informar a população sobre como manter a saúde mental, explicou a assessora do Programa Nacional para a Saúde Mental, Ana Matos Pires.

“Se tivesse de resumir, diria que a nossa principal preocupação foi a de dar informação para a população em geral, no sentido de prevenir o adoecer mental e de manter a saúde mental, e informação específica para pessoas com doença mental, e respetivos familiares ou cuidadores”, indicou a assessora em entrevista ao Expresso. “Não podemos dizer que estamos disponíveis e não apresentar a forma mais fácil de chegar até nós”, afirmou.

Ana Matos Pires, diretora do serviço de psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, em Beja, referiu que foram disponibilizados contactos de todos os centros de saúde e serviços locais de psiquiatria, bem como a linha de aconselhamento psicológico do SNS24, em funcionamento desde 01 de abril.

“A pessoa telefona para o seu centro de saúde e a chamada é encaminhada para um técnico com formação em primeiros socorros psicológicos, preferencialmente um psicólogo. Este avalia a situação e, ou percebe que consegue dar resposta à situação, e fá-lo, ou entra em contacto com os serviços de psiquiatria locais, explicando à pessoa que ligou que será contactada em breve por outro profissional”. O apoio é por telefone “mas, se for necessária consulta presencial, assim será”, explicou.

A grande inovação deste projeto passa por ajudar as “pessoas que precisam mesmo de ajuda e podem sentir-se perdidas”, indicou, apontando para indivíduos com doenças mentais, como esquizofrenia, mas também “depressão grave, bipolaridade, demências”.

O site fala sobre medicação habitual, disponibiliza informação para cuidadores ou pessoas que têm a seu cargo familiares idosos ou com demência e inclui áreas dedicadas à violência doméstica e ao luto. Também há um separador para os profissionais de saúde.

“Quem está na linha da frente, enfrenta uma tensão brutal, trabalha mais horas do que o habitual, vê doentes a precisar de ventiladores, sem saber o que vai acontecer a seguir, e lida com a morte”, disse Ana Matos Pires. “Nenhum de nós estava preparado para isto em nenhuma parte do mundo. Ser profissional da saúde é um factor de risco para a infeção e para o burnout”.

Na plataforma digital, há destaque para informação sobre o suicídio, com a identificação de fatores de risco, como doença mental prévia, doença física incapacitante e “história de abuso de álcool ou drogas”.

Aos meios de comunicação social recomenda-se “educar a população sobre os factos do suicídio e a sua prevenção, sem propagar mitos” e dar “informação fidedigna e acessível sobre onde procurar ajuda e como o fazer, através de apoios na comunidade, linhas de apoio, centro de saúde, serviços de psiquiatria e saúde mental e linha do SNS24 ou 112”.

O site apela ainda a que os jornalistas providenciem “narrativas de superação da crise”, que “podem ajudar outros a adotar estratégias semelhantes”, e evitem “as histórias sobre suicídio em locais de destaque, como capas de jornais, notícias de abertura”, “os detalhes sobre o método usado e o local onde aconteceu” e os “títulos sensacionalistas”.

“A preocupação com o suicídio é real. Não podemos ignorar e fazer de conta que não existe”, disse ainda Ana Matos Pires.

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