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Sociedade

Crónica-Paulo Teixeira: “Voltar a acreditar”

Redação
Last updated: 14 Dezembro, 2017 17:07
Redação
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Na tarde do passado dia 15 de Outubro o tempo estava calmo, uma tarde de sol com uma temperatura que não lembrava para Outubro. Tudo parecia tranquilo em Terras de Paiva.

Cerca das 22h32m, um amigo meu liga-me do Algarve a perguntar o que se passava em Castelo de Paiva, pois tinha tido a informação que um violento incêndio dirigia-se para o concelho. Disse-lhe que nada sabia. Eis que cai, no meu jardim, uma folha de eucalipto ainda acesa. Foi o primeiro alerta. Depois cai outra, e outra. Alerto para o interior da casa que podemos ter fogo próximo. Ainda no terraço ligo para o vizinho mais próximo, para os alertar, pois podiam já estar a dormir.

Uma hora depois vejo a cerca de 500 metros (de raio) de minha casa, um primeiro foco de incêndio. Pouco depois começa a arder o monte contíguo há minha casa. Fomos tentar apagá-lo. Meu filho alerta para que num outro campo ao lado da casa, começava também arder.

Ligo para o Quartel dos Bombeiros de Castelo de Paiva, explicam-me a situação. Dizem que a situação está incontrolável no concelho. Concluí rapidamente que podia contar com os efetivos e meios técnicos caseiros. Um amigo do outro lado do monte, liga-me dizendo Paulo sai daí porque está arder a toda a volta de tua casa. Restavam-nos três baldes e uma mangueira para combater “o inimigo” que teimava em não parar. O estado do vento fazia temer o pior. Parecia que vinha aí um furação tal a velocidade do vento.

Não sabíamos para onde nos virar, em três pontos distintos junto à nossa casa já ardia, e eis que o fogo galga o monte atinge o jardim e começam arder os cedros. As chamas passam a altura da casa e o jardim começa arder. A certa altura é o vento que nos ajuda e afasta o incêndio em direção ao Rio Douro. Cerca das 5h30m da manhã começamos a ter alguma tranquilidade mas as chamas ainda se avistavam nos montes vizinhos.

Foram horas dramáticas que jamais esqueceremos. Serão precisos alguns anos e novas gerações para vermos o verde que nos envolvia. Sei também que pior estão aqueles que ficaram sem as suas casas e as suas fábricas.

Depois do encerramento das Minas do Pejão, em 1994, da Queda da Ponte de Entre-os-Rios, em 2001, do encerramento da C.J.Clarks, em 2003, e deste gigantesco incêndio, em 2017, VAMOS VOLTAR ACREDITAR.

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