Neste 2 de abril, Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, o foco recai sobre os progressos científicos recentes relativos à Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) e as dificuldades contínuas no diagnóstico, suporte e integração de pessoas com autismo, tanto no Brasil como internacionalmente.
Dados oficiais divulgados em 2025 pelo IBGE revelaram, pela primeira vez no Brasil, que aproximadamente 2,4 milhões de indivíduos com dois anos ou mais foram diagnosticados com PEA, o que corresponde a cerca de 1 em cada 38 habitantes. Nos Estados Unidos, um relatório do CDC de 2025 apontou uma prevalência de 1 em cada 31 crianças de oito anos, um aumento face a estimativas anteriores.
Este crescimento nos números de diagnósticos deve-se, em grande parte, ao alargamento dos critérios de diagnóstico, à maior formação de profissionais e à visibilidade acrescida do espectro do autismo, e não necessariamente a um aumento real da ocorrência da condição.
A investigação sobre o autismo tem progredido em diversas frentes. Estudos recentes propõem a identificação de subtipos genéticos e clínicos dentro da PEA, o que poderá, no futuro, permitir abordagens mais personalizadas. Diretrizes atualizadas, como as publicadas pela Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, sublinham a importância do diagnóstico precoce, de intervenções baseadas em evidências científicas e de um cuidado multidisciplinar, alertando para práticas sem comprovação.
Outro tema em debate é a dupla excepcionalidade, a coexistência de PEA com altas capacidades cognitivas ou superdotação. Embora ainda pouco estudada no Brasil, esta combinação ilustra a heterogeneidade do espectro e a necessidade de avaliações que considerem tanto as características autistas quanto as potencialidades cognitivas, evitando que uma condição mascare a outra.

Adriel Silva Weber, diagnosticado com dupla excepcionalidade (superdotado e autista), é Coordenador Brasil da IIS Society — uma sociedade dedicada a indivíduos com alto QI — e coordena o RG-TEA, um grupo de apoio e pesquisa para pessoas com autismo, ligado ao Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH). O seu trabalho demonstra o esforço de iniciativas que procuram integrar a pesquisa, o apoio mútuo e uma maior compreensão sobre as diversas manifestações do autismo.
Apesar dos avanços, existe ainda uma significativa escassez de conhecimento. Muitos profissionais de saúde, educação e políticas públicas enfrentam dificuldades para identificar e apoiar adequadamente as necessidades individuais dentro do espectro. A campanha nacional de 2026 no Brasil adota o lema “A autonomia constrói-se com apoio”, reforçando que a autonomia das pessoas com autismo depende de acessibilidade, inclusão e um suporte coletivo adequado, respeitando o nível de necessidades de cada uma.
Especialistas realçam que o autismo permanece uma área em constante descoberta. Fatores genéticos, ambientais e metabólicos são investigados em conjunto, e estudos sugerem que intervenções precoces podem influenciar o desenvolvimento em certos casos. No entanto, persistem lacunas importantes: a demora no diagnóstico, as desigualdades regionais no acesso a serviços e a falta de políticas públicas mais abrangentes.
Neste Dia Mundial do Autismo, a mensagem central é que uma maior informação e pesquisa são essenciais para reduzir preconceitos, melhorar o suporte e promover uma sociedade mais inclusiva. O entendimento sobre a PEA evolui, mas ainda exige investimento contínuo em ciência, formação profissional e na escuta das próprias pessoas com autismo e das suas famílias.


