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Tempos de espera para consultas do CHTS voltam a ser criticados

No final de janeiro deste ano, uma comitiva do PSD/Penafiel considerou um “escândalo nacional” o facto de o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) só dispor de cinco médicos pneumologistas quando, pelo número da pessoas que abrange, estar obrigado a ter nos seus quadros 13 clínicos desta especialidade.

Já em fevereiro foi o CDS/PP que enviou um requerimento ao Governo com questões sobre a falta de pneumologistas nos hospitais de Penafiel e Amarante. Os centristas, tal como já havia feito o PSD/Penafiel, salientaram o facto de o Vale do Sousa e Baixo Tâmega ser a região do país com a mais alta taxa de incidência de tuberculose, doença que é tratada, precisamente, por pneumologistas.

Agora, foi o Grupo Parlamentar do PSD a apresentar um Projeto de Resolução na Assembleia da República sobre a falta de médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar no CHTS. Nesse documento, os deputados sociais-democratas lembram que o “CHTS presta cuidados de saúde a uma população de cerca de 550 mil pessoas”, mas sofre “de uma grave insuficiência de pessoal, em especial de médicos cardiologistas e pneumologistas, bem como de enfermeiros e de assistentes operacionais”. E para sustentar esta tese, os deputados garantem que, no CHTS, uma consulta de Pneumologia demora 647 dias a ser marcada. Já o tempo de espera para uma consulta de Otorrinolaringologia é de 470 dias, enquanto uma consulta de Cirurgia Geral só é marcada em 385 dias. “A escassez de profissionais de saúde tem gerado elevados tempos médios de resposta para primeiras consultas de especialidade no CHTS, muitos dos quais ultrapassam significativamente os Tempos Máximos de Resposta Garantida”, lê-se no Projeto de Resolução.

Simão Ribeiro, o deputado de Lousada que nesta semana apresentou o documento, acrescenta que há, por parte do Governo, “falta de investimento em pessoal clínico” que também se reflete no “caos verificado no serviço de Urgência”. “A saúde da população tende a ficar em perigo se nada for feito para resolver esta situação. Exigimos que o ministro da Saúde venha a terreiro explicar o que se passa”, afirmou Simão Ribeiro.

O mesmo responsável revelou que o Projeto de Resolução recomenda ao Governo que “reforce o investimento no CHTS, designadamente ao nível dos seus serviços de Urgência de Penafiel e Amarante”, “assegure uma contratação adequada dos profissionais necessários ao bom funcionamento do CHTS, designadamente em termos de médicos, em especial das especialidades de cardiologia e de pneumologia, de enfermeiros e de assistentes operacionais” e, por fim, que “adote medidas a possibilitar uma redução substancial dos tempos médios de resposta para primeiras consultas de especialidade no CHTS, de modo a assegurar, nesse estabelecimento hospitalar, o cumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantida”.

CHTS destaca esforço feito nos últimos tempos

Contactado, a administração do CHTS frisa que, “das dezenas de consultas e especialidades médicas” que oferece à população, “existem efetivamente algumas dificuldades nos tempos de resposta”. “Ainda assim, em comparação com os últimos anos, tem sido com o apoio da ARS-Norte e do atual ministro da Saúde que o CHTS tem conseguido aumentar os seus quadros e contratar mais médicos, enfermeiros e assistentes operacionais. Naturalmente, que este conselho de administração não ficará descansado enquanto existirem doentes com atrasos significativos nas consultas, mas tem vindo a adotar diversas medidas para colmatar estas dificuldades, nomeadamente, com as contratações já referidas, com a entrada recente de mais 23 novos médicos especialistas e ainda com a implementação de um plano especial de recuperação de listas de espera para consulta externa. Em termos de espaços físicos, o CHTS tem igualmente vindo a introduzir fortes melhorias na consulta externa e hospital de dia”, defende, ainda, a administração.

Fonte: A Verdade