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Uma alga pode ser a solução para limpar as águas poluídas

H. Krisp / Wikimedia

Alface-do-mar

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro acredita que a alface-do-mar pode ser a solução para limpar águas poluídas.

A equipa de cientistas da Universidade de Aveiro descobriu que a alface-do-mar consegue remover da água elementos tóxicos, perigosos quer para a saúde humana, quer para o ambiente.

À Visão, Bruno Henriques explica que esta tecnologia “tem por base o uso de macroalgas vivas, e tem-se demonstrado mais eficiente, sustentável, barata e amiga do ambiente do que as tecnologias convencionais de tratamento de águas contaminadas”.

O Objetivo da equipa de investigadores portugueses “foi avaliar a capacidade da alga verde, geralmente conhecida como alface-do-mar, na descontaminação de um efluente simulado em laboratório, com elevada força iónica, que continha vários contaminantes clássicos simultaneamente (arsénico, chumbo, cádmio, etc.), entre os quais alguns considerados prioritários pela Diretiva-Quadro de Água Europeia”.

Comparativamente com outros materiais usados para o mesmo efeito, esta alga teve uma taxa de sucesso superior. “Estas algas são uma alternativa eficiente, pois removem percentagens elevadas de contaminantes num período curto de tempo, a metodologia é económica e mais ecológica do que os métodos clássicos para a remoção destes elementos, que são menos eficazes e, muitas vezes, mais caros”, sustentou o cientista.

O estudo adianta que cada grama desta alga consegue remover, em simultâneo, 120 µg (microgramas) de mercúrio, 160 µg de cádmio, 980 µg de chumbo, 480 µg de crómio, 660 µg de níquel, 550 µg de arsénio, 370 µg de cobre e 2000 µg de manganês. Tendo em conta que estes elementos continuam a ser usados por várias indústrias, esta descoberta é um grande passo na luta contra as águas poluídas.

A alga consegue realizar esta “limpeza” através da sorção, um processo pelo qual a alface-do-mar é capaz de incorporar nos seus tecidos os contaminantes.

Além de todas estas vantagens, os cientistas argumentam ainda que esta alga tem uma mais-valia: permite reduzir o teor de fosfatos e nitratos em águas e, ao usarem dióxido de carbono como fonte de carbono, permitem reduzir a pegada de carbono.

Como crescem e adaptam-se rapidamente, estas algas facilitam todo o processo que, noutros moldes, poderia ser uma dor de cabeça. A alface-do-mar poderia ser cultivada diretamente nos locais afetados por descargas de elementos potencialmente tóxicos se as condições forem adequadas, ou cultivada num outro local, transportando-as posteriormente para os locais a descontaminar.

No futuro, os cientistas querem “perceber com maior detalhe os mecanismos que permitem explicar o processo de captação e acumulação destes elementos pelas macroalgas, alargar este estudo a outro tipo de contaminantes e aplicar soluções baseadas em macroalgas vivas no mundo real”.