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Vírus do herpes pode desempenhar um papel importante na doença de Alzheimer

Um novo estudo reacendeu a teoria controversa sobre o que causa o Alzheimer. A ideia de que vírus pode desempenhar um papel no desenvolvimento da doença já tinha sido levantada no passado.

A teoria de que os vírus poderiam contribuir para o desenvolvimento da doença de Alzheimer surgiu na década de 1950. Cientistas trabalharam a hipótese de que esta doença fosse uma “doença viral lenta“, em que um ou vários vírus degradavam constantemente os processos neurológicos no cérebro após décadas de inatividade.

No entanto, nos anos seguintes, a investigação sobre a demência inclinou-se muito mais para outra hipótese: a amiloide. A causa do Alzheimer pode ser a acumulação de placas feitas de proteínas amiloides em células nervosas do cérebro, que as mata ou as bloqueia.

Entretanto, um estudo de 2014, publicado na revista Alzheimer’s Research & Therapy, questionou a teoria amiloide. Os investigadores examinaram mais de uma década de ensaios clínicos com medicamentos que tinham como alvo as placas amiloides e descobriram que apresentavam uma taxa de erro de 99,6%.

Desde então, a velha hipótese viral ganhou uma nova vida, e o estudo da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, que sugeriu que o ADN e o RNA do vírus do herpes humano eram mais abundantes nos cérebros das pessoas com doença de Alzheimer, sustentou isso mesmo.

Depois de analisados três bancos cerebrais, os cientistas descobriram que os 622 cérebros de pessoas com sinais de Alzheimer tinham o dobro de abundância do vírus herpes do que os 322 cérebros de pessoas sem esta condição neurodegenerativa. Assim, o HHV-6A e o HHV-7 foram fortemente associados à doença de Alzheimer. O HHV-6A e o HHV-7 são vírus extremamente comuns, geralmente assintomáticos.

Além disso, os cientistas conseguiram também provar que os genes humanos e os virais interagiam uns com os outros. Os genes associados ao aumento do risco de Alzheimer eram afetados pelo ADN viral, por exemplo.

“Não podemos afirmar que os vírus do herpes são a principal causa da doença de Alzheimer, mas está claro que estes vírus estão a afetar partes do cérebro ligadas ao Alzheimer”, o geneticista Joel Dudley, um dos autores do novo estudo, publicado recentemente no Neuron.

Mas há ainda outra possibilidade: pode ser que os vírus interajam com o ADN humano e estimulem o crescimento de placas amiloides, fazendo com que as duas teorias estejam, afinal, corretas. No novo estudo, os cientistas descobriram ainda que o vírus do herpes está envolvido em redes que regulam a geração de proteínas amiloides.

Estas descobertas podem abrir portas a terapias inovadoras no futuro. Por enquanto, o tratamento da doença do Alzheimer continua fundamentalmente o mesmo, sem novidades.