O estado do Amazonas registou, em 2024, o maior número de focos de queimadas de toda a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), iniciada em 1998. Foram contabilizados 25.499 focos, superando os 21.217 de 2022 e os 19.601 de 2023. O recorde ocorreu durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os números mostram, no entanto, que queimadas e desflorestação não seguiram exactamente a mesma trajectória. Enquanto os incêndios atingiram o máximo histórico no Amazonas em 2024, a área desflorestada no estado caiu de 1.610 km², em 2023, para 1.143 km² em 2024 e 728 km² em 2025. Na Amazónia Legal como um todo, o INPE também registou queda da desflorestação nos anos seguintes.
O contraste é importante porque “queimada” e “desflorestação” não são sinónimos. Um foco de calor detectado por satélite pode estar associado a incêndio florestal, uso agropecuário do fogo ou queima em área anteriormente desflorestada. O número de focos, por isso, não mede directamente a área de floresta perdida.
Em 2025, o Amazonas registou uma forte redução para 4.545 focos, segundo dados oficiais reproduzidos pelo Governo do Estado. Em 2026, porém, os incêndios voltaram a preocupar: até 7 de Outubro, tinham sido registados 6.901 focos, quase 94% acima do mesmo período de 2025.
O Governo Federal afirma manter equipas, aeronaves e operações de prevenção e combate no Amazonas. Em Outubro de 2026, o Ministério do Ambiente informou que o Ibama já tinha extinguido 229 incêndios no estado e continuava a combater outros 20.
A atribuição de responsabilidade, porém, não pode ser reduzida exclusivamente ao Presidente da República. O combate às queimadas envolve Governo Federal, Governo do Amazonas, municípios e órgãos ambientais, enquanto factores como seca extrema, alterações climáticas, uso irregular do fogo e actividades humanas influenciam a propagação dos incêndios.
O dado central permanece: o recorde histórico do Amazonas ocorreu em 2024, durante o actual governo Lula, com 25.499 focos de queimadas. Isso não significa, por si só, que a Presidência tenha causado o recorde, mas coloca o resultado ambiental daquele ano sob responsabilidade política partilhada entre as diferentes esferas do poder público.


