A Estação de Avisos de Entre Douro e Minho, da CCDR-NORTE, IP, divulgou esta segunda-feira, 24 de agosto, a Circular nº 12/2026, com uma atualização da situação fitossanitária de várias culturas agrícolas e ornamentais na região.
O documento alerta para a presença ou risco de agravamento de diferentes pragas e doenças, com destaque para a podridão cinzenta na vinha, a flavescência dourada da videira, a esca, a mosca do Mediterrâneo nos citrinos, as doenças de conservação das pomóideas e a traça do tomateiro. Entre as ornamentais, são ainda abordadas a murchidão das flores da camélia e a traça do buxo.
Vinha entra numa fase crítica com a aproximação das vindimas
Na vinha, a circular refere que as uvas se encontram num processo de rápida maturação, estando já a decorrer vindimas em alguns locais e em castas mais precoces, como o Alvarinho.
A situação exige atenção especial devido à ocorrência de podridão cinzenta (Botrytis). Segundo as observações realizadas pela rede de monitorização da Estação de Avisos, foram encontrados ataques considerados de alguma gravidade em várias vinhas.
A ocorrência de chuva poderá agravar as perdas provocadas pela doença. Perante esta situação, a recomendação apresentada é para que, sempre que possível, os produtores antecipem a vindima nas vinhas afectadas, de forma a limitar novos prejuízos.
Flavescência dourada continua a preocupar
Outro dos principais alertas relacionados com a vinha é a flavescência dourada, doença causada pelo fitoplasma Grapevine flavescence dorée phytoplasma.
A circular indica que foram encontradas videiras com sintomas da doença em quase todas as vinhas que integram a rede de observação. No entanto, para que uma videira possa ser considerada suspeita de estar infectada, deverá apresentar simultaneamente o conjunto de sintomas característicos da doença.
A manutenção de videiras com flavescência dourada representa, segundo o documento, um risco elevado de contaminação das videiras sãs. Por isso, recomenda-se a identificação e marcação das plantas suspeitas, para posterior arranque durante a poda ou, quando possível, antes dessa altura.
Agosto e setembro são períodos importantes para a recolha de amostras
A circular chama ainda a atenção para o período de agosto a setembro como uma fase particularmente adequada para a recolha de amostras destinadas ao despiste da flavescência dourada.
De acordo com o protocolo de recolha de amostras da DGAV, o período que antecede a vindima é especialmente indicado porque os sintomas tendem a estar mais evidentes e o fitoplasma apresenta maior concentração na seiva da parte aérea da videira, aumentando a possibilidade de detecção através de análise laboratorial.
A circular alerta que, no outono, o fitoplasma desce com a seiva para as raízes, razão pela qual a recolha posterior de material vegetal para este tipo de análise é desaconselhada devido ao risco de resultados falsamente negativos.
Esca: produtores devem identificar videiras debilitadas
A esca, doença associada a diferentes fungos, também continua visível nas vinhas nesta altura do ano.
A Estação de Avisos refere que permanecem identificáveis tanto os sintomas secundários da chamada forma lenta da doença como os casos de evolução rápida, conhecidos como apoplexia.
A recomendação passa pela marcação das videiras com sintomas de esca que estejam secas, muito debilitadas ou sem cachos viáveis, para que sejam arrancadas logo que possível.
Já as plantas que apresentam sintomas, mas ainda possuem ramos sãos e alguma produção, deverão ser identificadas para que se possa tentar a sua recuperação durante a poda.
Mosca do Mediterrâneo aumenta o risco nos citrinos
Nos citrinos, o principal alerta está relacionado com a mosca do Mediterrâneo (Ceratitis capitata).
Segundo a circular, o voo da praga começou no início de julho. A ocorrência de chuva, acompanhada pelo aumento da humidade, cria condições favoráveis ao aumento do voo e das posturas da mosca.
Os produtores são aconselhados a instalar uma ou mais armadilhas para acompanhar a evolução da praga. Mesmo a captura de poucos exemplares deve ser encarada como um sinal de alerta, embora não signifique necessariamente que seja necessário efectuar de imediato um tratamento.
O nível económico de ataque de referência indicado é de 10 a 20 moscas capturadas por armadilha e por semana, ou a detecção dos primeiros frutos picados.
Para a monitorização dos frutos, a circular recomenda a observação de 100 frutos, correspondentes a quatro frutos por árvore em 25 árvores. Nos pomares com menos de 25 árvores, o número de árvores a observar deverá ser calculado proporcionalmente.
Como estratégia de controlo, é recomendada a utilização de meios de atracção e captura massiva, através de luta biotécnica. A aplicação de caulino pode também funcionar como repelente, formando uma película protectora sobre os frutos e dificultando a postura dos ovos pela mosca.
Quando for necessário recorrer a insecticidas, a orientação é para que sejam rigorosamente respeitadas as doses, formas de aplicação e intervalos de segurança indicados para cada produto.
Rachamento dos frutos pode agravar-se depois das chuvas
Outro problema identificado nos citrinos é o rachamento dos frutos, sobretudo nas laranjas.
O fenómeno ocorre principalmente quando as árvores passam por um período mais ou menos prolongado sem chuva e sem rega e, posteriormente, recebem água através de rega ou de precipitação abundante.
A circular considera previsível que, após as últimas chuvas, o problema possa atingir pomares que se encontravam sob stress hídrico.
Cuidados na colheita são fundamentais para conservar pomóideas
Nas pomóideas, como maçãs e outras frutas deste grupo, o alerta está relacionado com as doenças de conservação.
A maioria destas doenças é causada por fungos e as contaminações podem ocorrer ainda no pomar, antes ou durante a colheita. Muitos dos prejuízos estão relacionados com podridões provocadas por fungos que aproveitam ferimentos existentes nos frutos.
A circular destaca ainda que fruta deteriorada e restos existentes nos locais de triagem e calibragem, nas embalagens ou mesmo nas câmaras frigoríficas podem constituir fontes de contaminação.
Para reduzir os riscos, recomenda-se evitar choques durante a colheita, não pisar a fruta e impedir a ocorrência de ferimentos.
A triagem e a pré-calibragem à entrada da câmara frigorífica permitem retirar frutos deteriorados ou danificados, reduzindo a possibilidade de propagação das podridões.
Segundo o documento, os cuidados devem continuar durante a colheita, calibragem, triagem e conservação. Em determinadas situações, podem ainda ser realizados tratamentos curativos de pós-colheita à entrada da câmara frigorífica.
Produtores de tomate devem eliminar restos das culturas
Nas hortícolas, o aviso incide sobre a traça do tomateiro (Tuta absoluta).
À medida que as culturas terminam, a recomendação é colher os últimos frutos, incluindo os que se encontrem caídos no solo, e proceder à remoção imediata dos restos das plantas.
A circular recomenda a eliminação desses restos como forma de reduzir a presença de larvas e ovos da praga. Também alerta para que a rama dos tomateiros e outros resíduos não sejam colocados nos locais destinados à produção de estrumes ou correctivos orgânicos, uma vez que ovos, larvas e pupas podem sobreviver parcialmente e contribuir para a multiplicação futura da praga.
Depois da eliminação dos restos da cultura, devem ser novamente colocadas as armadilhas utilizadas no controlo da Tuta absoluta durante o período de produção.
Nas estufas, a recomendação é manter uma protecção adequada com rede fina e duplas portas, de modo a impedir a entrada das borboletas da praga.
Camélias exigem atenção antes do período de maior chuva
Entre as plantas ornamentais, a circular aborda a murchidão das flores da camélia, provocada pelo fungo Ciborinia camelliae.
A doença afecta exclusivamente as flores da camélia e tende a desenvolver-se a partir do início das chuvas mais abundantes do final do outono e durante os Invernos chuvosos.
Os primeiros sinais são pequenas manchas castanhas nas pétalas, que podem rapidamente espalhar-se por toda a superfície. As flores acabam por apodrecer e cair, muitas vezes inteiras.
A prevenção passa por impedir a reprodução do fungo e proteger as flores. Entre as medidas recomendadas estão a recolha das flores infectadas que caíram no solo e dos restantes resíduos vegetais existentes debaixo das árvores.
Esses materiais não devem ser compostados, uma vez que os esclerotos do fungo podem sobreviver ao processo de compostagem.
A circular recomenda ainda o corte da erva debaixo das camélias, a remoção de ramos junto ao solo para melhorar o arejamento e facilitar a limpeza e a colocação de uma cobertura de estilha de madeira, com uma espessura mínima de 10 centímetros, depois de retirados os resíduos contaminados.
A utilização de fungicidas é apresentada como medida de último recurso, devendo a aplicação ocorrer quando começam a abrir os primeiros botões florais e ser repetida durante a floração. O documento refere diferentes substâncias activas e produtos biológicos, mas salienta que a aplicação de fungicidas no solo tem demonstrado pouca eficácia.
Traça do buxo prepara-se para passar o Inverno
Outro alerta para as ornamentais diz respeito à traça do buxo (Cydalima perspectalis).
Nesta época do ano, as larvas mais jovens estão a construir abrigos, ou “casulos”, onde irão passar o Inverno.
Por isso, a recomendação é observar atentamente as plantas e considerar um eventual tratamento apenas quando forem detectadas larvas activas.
A circular salienta que o Bacillus thuringiensis actua sobretudo sobre as larvas mais jovens e não tem a mesma eficácia sobre as larvas que já se encontram protegidas dentro dos casulos.
Produtos autorizados para combater a mosca do Mediterrâneo
A circular inclui ainda um quadro com os insecticidas, atractivos e armadilhas homologados em 2026 para o combate à mosca do Mediterrâneo nos citrinos.
Entre as soluções listadas encontram-se produtos à base de hidrolisado de proteínas, acetato de amónio, deltametrina, lambda-cialotrina, azadiractina, Beauveria bassiana, ciantraniliprol, acetamiprida, spinosade e silicato de alumínio, entre outras substâncias e formulações.
O documento apresenta igualmente diferentes condições de utilização, intervalos de segurança e limites de aplicação para os produtos indicados. Algumas soluções são autorizadas em modo de produção biológico.
A circular reforça, contudo, que as condições específicas de utilização devem ser respeitadas, incluindo restrições relacionadas com a floração, protecção das abelhas, proximidade de cursos de água e número máximo de tratamentos por campanha.
Os dados relativos aos produtos fitofarmacêuticos foram extraídos, segundo o próprio documento, em 14 de julho de 2026, da plataforma da DGAV.
Atenção redobrada nas próximas semanas
A Circular nº 12/2026 deixa um alerta claro para a necessidade de acompanhamento regular das culturas nesta fase do ano. Na vinha, a aproximação das vindimas coincide com a presença de doenças que podem provocar perdas significativas, enquanto nos citrinos as condições de humidade favorecem a actividade da mosca do Mediterrâneo.
Ao mesmo tempo, os cuidados durante a colheita e conservação das pomóideas, a eliminação correcta dos restos das culturas de tomate e a prevenção das doenças nas plantas ornamentais podem ajudar a reduzir a propagação de pragas e agentes patogénicos.
A publicação da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho pretende, assim, apoiar produtores e responsáveis pelas culturas na identificação precoce dos problemas e na adopção das medidas de prevenção e controlo indicadas para cada situação.


