Bastou mencionar a expressão Alojamento Local para ver a conta da água ser convertida para tarifa comercial em Arouca. Concessionárias de serviços públicos aproveitam contactos burocráticos para alterar tarifários sem verificar a existência real de consumo ou de hóspedes.
Na prestigiada aldeia da Paradinha, localizada no concelho de Arouca, o turismo de habitação e o Alojamento Local representam o principal motor de preservação do património e de combate ao despovoamento rural. Contudo, quem investe na recuperação destas habitações tradicionais no território arouquense enfrenta uma teia burocrática que penaliza a iniciativa privada.
Um caso recente ocorrido em Arouca ilustra como um simples contacto administrativo com a concessionária de águas se pode transformar num encargo financeiro despropositado. Ao tentar agendar uma leitura técnica e justificando a necessidade pelo facto de o imóvel ser uma unidade de Alojamento Local, o proprietário viu a sua mensagem ser reencaminhada para os serviços de fiscalização.
Sem qualquer verificação prévia sobre a presença de hóspedes ou sobre o consumo efetivo da habitação, a empresa decidiu alterar o contrato para a tarifa não doméstica. Esta mudança implica custos fixos e taxas por metro cúbico substancialmente mais elevadas.
O processo ganha contornos ainda mais incompreensíveis quando se verifica que o contador de água está instalado na via pública. A leitura pode ser feita a partir da rua sem qualquer necessidade de entrar no imóvel. Aplicar custos comerciais a uma casa de aldeia desocupada contraria o princípio da justiça tarifária e ignora a realidade do turismo sazonal no concelho de Arouca.
Enquanto os discursos oficiais enaltecem a coesão territorial e o desenvolvimento do interior, as concessionárias públicas tratam pequenas casas em aldeias históricas como se fossem grandes superfícies comerciais. Se a resposta da burocracia a quem tenta colaborar for o agravamento de custos, o resultado será o encerramento de portas e o regresso do património de Arouca ao abandono.


