Castelo de Paiva, Portugal – O Centro de Interpretação da Cultura Local acolheu recentemente a sessão solene que formalizou o arranque da empreitada dedicada à eficiência hídrica no concelho de Castelo de Paiva, com a entrega formal do auto de consignação à empresa responsável pela execução dos trabalhos. Esta intervenção representa um esforço financeiro de 3,7 milhões de euros e foca-se na modernização das infraestruturas de distribuição para mitigar os elevados índices de desperdício registados no território.
O projeto surge na sequência de diagnósticos técnicos que revelaram uma lacuna estrutural preocupante no sistema municipal de abastecimento, onde se estima que cerca de 70% da água injetada na rede se perca devido a roturas e anomalias nas condutas. Esta realidade significa que, por cada centena de litros adquirida pela autarquia, apenas trinta chegam a ser faturados aos consumidores, gerando um encargo financeiro e ambiental insustentável para a comunidade.
A cerimónia oficial contou com intervenções de diversas figuras ligadas ao setor e à região, incluindo o presidente da Assembleia Municipal, Victor Moreira, o gestor da Águas do Douro e Paiva, Fernando Vasconcelos, bem como representantes da empresa executante, como o administrador Eduardo Barbot e o diretor Paulo Nunes. O evento teve ainda contributos institucionais do vice-presidente da CCDR Norte, Pedro Machado, e do presidente da Câmara Municipal, Ricardo Cardoso, tendo sido complementado por um apontamento musical proporcionado pela Academia de Música local.
Durante a apresentação dos detalhes técnicos, o presidente do município sublinhou a urgência de estancar este prejuízo, classificando o desperdício atual como um encargo excessivo suportado pela população. A estratégia delineada pela autarquia prevê recuperar a eficácia do sistema a curto e médio prazo, garantindo simultaneamente que a sustentabilidade financeira da gestão da água não recaia sobre os bolsos dos cidadãos.
Poupança estimada e proteção das famílias
O autarca paivense assegurou que o plano de intervenção foi desenhado para proteger a economia doméstica, garantindo que o combate às perdas não se traduzirá num aumento tarifário para as famílias do concelho. A prioridade passa por assegurar um recurso básico a preços acessíveis, tendo em conta o contexto socioeconómico da região e a necessidade de proteger os consumidores mais vulneráveis.
As projeções financeiras apresentadas pela edilidade apontam para uma poupança acumulada de dois milhões de euros ao longo de um quinquénio, valor resultante da otimização dos volumes perdidos e da maior rigor na contabilização dos consumos. Este retorno económico alia-se diretamente à preservação de um recurso natural cada vez mais escasso, promovendo a sustentabilidade ambiental a longo prazo no território concelhio.
Intervenções técnicas no terreno
O plano de trabalhos abrange um conjunto diversificado de ações operacionais, desde logo a implementação de sistemas avançados para a deteção precoce de fugas e a introdução de mecanismos de regulação e controlo de pressões ao longo das canalizações. O programa contempla ainda a colocação de válvulas redutoras, a substituição de contadores obsoletos e a reabilitação física das condutas mais degradadas.
Para assegurar a durabilidade das melhorias introduzidas, o projeto inclui ações específicas de formação técnica direcionadas aos operacionais da autarquia, reforçando as competências internas de manutenção. A gestão direta do serviço de abastecimento continuará sob a alçada do município de Castelo de Paiva, que passará a contar com o suporte técnico especializado da empresa contratada para monitorizar e otimizar todo o sistema de distribuição.


