Castelo de Paiva, Portugal – O Centro de Interpretação da Cultura Local, conhecido pela sigla CICL, serviu de palco no passado sábado para a inauguração da mostra individual da artista Maria Vasconcelos. Intitulada Raízes, Memória e Expressão, a exposição resulta de uma iniciativa da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, que pretende aproximar a comunidade local do espólio criativo da autora, cuja ligação às suas origens permanece como pilar central de toda a sua obra.
A cerimónia oficial contou com a presença de diversas figuras públicas, incluindo o presidente da autarquia, Ricardo Cardoso, o presidente da Assembleia Municipal, Victor Moreira, e o deputado à Assembleia da República, Almiro Moreira. Durante a intervenção, o autarca destacou o contributo de Maria Vasconcelos para a cultura, sublinhando que a homenagem é um reconhecimento justo da forma como a artista traduz a saudade e o sentimento de pertença através da pintura e da modelagem.
A trajetória de uma artista multidisciplinar
Maria Vasconcelos, licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, construiu um percurso que equilibra o rigor do conhecimento académico com a sensibilidade plástica. O seu trabalho destaca-se pelo uso variado de técnicas e suportes, onde o óleo e o acrílico sobre tela se cruzam com o acrílico aplicado sobre terracota modelada. Este conjunto de obras revela universos onde a natureza e as relações humanas se fundem frequentemente com uma estética de contornos surrealistas.
O percurso da artista inclui ainda passagens relevantes pelo Movimento Mulheres d’Artes de Portugal e pela Comissão Executiva da primeira Bienal das Mulheres d’Artes, em Espinho. Com peças que integram hoje diversas coleções particulares espalhadas por vários países, esta exposição em Castelo de Paiva representa uma oportunidade de reunir uma seleção representativa da sua trajetória, permitindo ao público observar de perto a evolução da sua técnica e a persistência dos seus temas fundamentais.
O valor da identidade regional
A exposição não se limita a um exercício de contemplação estética, funcionando antes como uma partilha de vivências e referências que moldam o processo criativo de Vasconcelos. Segundo a organização, a escolha do CICL como local de exibição reforça o compromisso do município em preservar e valorizar a identidade regional através da arte, proporcionando um ambiente onde a história e a criatividade contemporânea se encontram.
A mostra permanece aberta ao público de residentes e visitantes até ao próximo dia 18 de agosto. Durante este período, o espaço oferece uma visão abrangente sobre o olhar singular de uma criadora que, apesar do reconhecimento internacional, mantém o seu gesto artístico umbilicalmente ligado à terra que a viu nascer, transformando as memórias da sua juventude e a sua identidade geográfica em matéria plástica e visual.












