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Home - Ciência - Astrofísicos desconfiam que há uma galáxia invisível na Via Láctea

Ciência

Astrofísicos desconfiam que há uma galáxia invisível na Via Láctea

Last updated: 11 Setembro, 2018 9:00
Redação
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D. Minniti / VVV Survey / ESO

Os cientistas acreditam que no coração de quase todas galáxias, incluindo na Via Láctea, exista um buraco negro supermassivo com grande gravidade. Este buracos negro pode “alojar” outros menores, formando uma estrutura à sua volta, aponta uma nova investigação.

Estes buracos negros, conhecidos como SMBHs, estão rodeados por aglomerados densos de milhões de estrelas e, de acordo com descobertas recentes, existem provavelmente milhares do buracos negros menores, do tamanho de estrelas, que orbitam a poucos anos-luz do centro galáctico.

Astrofísicos da Universidade Eotvos Loránd, na Hungria, detalharam num novo estudo, publicado na semana passada na Physical Review Letters, que os objetos mais massivos formam uma estrutura à volta do buraco negro supermassivo central, onde se ocultariam milhares de outros buracos negros.

Até então, os cientistas acreditavam que as órbitas dos objetos estelares ligeiros e massivos se distribuíam de forma uniforme em todas as direções à volta dos buracos negros supermassivos, explicou Akos Szolgyen, um dos autores do estudo acrescentado que agora os investigadores “sabem que as as estrelas massivas e os buracos negros separam-se tipicamente num disco“.

Segundo a investigação, os investigadores simularam a interação das órbitas estelares em “agrupamentos de estrelas nucleares” – grupos de estrelas com alta densidade e luminosidade -, que se encontram perto do centro de massa da maioria das galáxias.

Szolgyen acredita que os aglomerados das estrelas nucleares se podem formar de duas formas distintas: a primeira sugere que o gás voou para o centro da galáxia e formou estrelas à volta do agrupamento do buraco negro supermassivo; a sua forma aponta que os aglomerados globulares antigos se deslocaram em espiral até o centro galáctico, onde acabaram por ser destruídos pelas forças gravitacionais do buraco negro.

Com o tempo, as estrelas mais massivas formaram discos à volta do buraco negro supermassivo central, e os objetos estrelares mais rápidos à volta deste acabaram repartidos esfericamente em torno do núcleo galáctico.

Posto isto, os astrofísicos concluíram que os milhares de buracos negros já previstos à volta do centro galáctico escondem-se dentro da estrutura do disco já demonstrado – incluindo mesmo a Via Láctea.

“Se milhares de buracos negros residem num disco à volta de um buraco negro supermassivo central, estes podem deformar e perfurar coletivamente as nuvens de gás ambiente em núcleos galácticos ativos, dos quais fluxos de saída altamente energéticos são observados”, explicou Bence Kocsis, um dos participantes do estudo.

“Estas saídas podem afetar fundamentalmente a estrutura em grande escala da galáxia hospedeira, mesmo a milhares de anos-luz de distância”, concluiu.

Esta previsão pode ter importantes implicações para a nossa compreensão da dinâmica estelar, dos núcleos galácticos, da evolução das galáxias e da origem das ondas gravitacionais – ou ondulações no tecido do espaço-tempo.

TAGGED:AstrofísicaAstronomiaCiência & SaúdeDestaqueEspaço
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