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Home - Ciência - Astrónomos acreditam que o Sol tem um irmão gémeo perdido (e que o encontraram)

Ciência

Astrónomos acreditam que o Sol tem um irmão gémeo perdido (e que o encontraram)

Last updated: 22 Novembro, 2018 12:55
Redação
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NASA / J PL-Caltech / GSFC

Uma equipa de astrónomos acredita ter descoberto um astro que pode ser um irmão gémeo, quase idêntico, do Sol.

Há muito se imagina que o Sol não seja um filho único: no seu berço estelar, deve ter sido “gerado” com várias outras estrelas, e especula-se que haveria, entre elas, uma espécie de irmã gémea quase idêntica.

Este astro teria sido seu companheiro binário, constituído pelo mesmo material estelar, mas que, em algum momento da história do Universo, acabou por seguir por um caminho independente. Agora, astrónomos acreditam ter encontrado este astro.

A estrela chamada HD 186302 está localizado a 184 anos-luz da Terra e é estranhamente parecida com o Sol. É do tipo G e um pouco maior do que o possível irmão, mas tem aproximadamente a mesma temperatura e luminosidade na sua superfície, além de abundância química extremamente similar à da nossa estrela, com aproximadamente a mesma idade: cerca de 4,5 mil milhões de anos.

Ainda é desconhecido o local de nascimento do Sol, por isso cada vez que a Ciência acredita ter encontrado uma estrela que pode ter nascido no mesmo lugar do nosso astro, comemora-se. Em 2014, por exemplo, a estrela do tipo F chamada HD HD162826 foi identificada como uma irmã estelar do nosso Sol.

“Como não há muita informação sobre o passado do Sol, estudar estas estrelas pode ajudar-nos a entender onde e sob quais condições o Sol foi formado”, conforme explicou o astrônomo Vardan Adibekyan, líder do estudo que foi publicado a 16 de novembro na revista Astronomy & Astrophysics.

A maioria das estrelas conhecidas nasce em grupos que podem chegar aos milhares, nos chamados berçários estelares, que são gigantescas nuvens de gás e pó que gradualmente colapsam sob o seu próprio peso, formando os primeiros estágios das estrelas recém-nascidas.

Eventualmente, as estrelas são “lançadas” para viverem por conta própria na galáxia, com boa parte delas mantendo pelo menos uma companheira em sistema binário. Estima-se, inclusive, que até 85% de todas as estrelas da Via Láctea sejam binárias – ou mesmo parte de sistemas triplos ou quádruplos – , e mais de 50% das estrelas semelhantes ao Sol estão em pares binários.

CDS Portal / Simbad

A estrela HD 186302 encontra-se no centro da imagem

Mas o nosso Sol é uma estrela solitária. Contudo, evidências já surgiram indicando que a estrela tinha pelo menos um gémeo em sistema binário, e é exatamente este gémeo que os astrónomos acreditam que seja o HD 186302. Os “irmãos” do Sol estão espalhados pela galáxia e encontrá-los é parte essencial no entendimento da formação do astro e, consequentemente, do Sistema Solar.

Como o Sol tem no seu sistema o único planeta conhecido por albergar vida, encontrar uma estrela “gémea” com tamanho, idade, luminosidade, temperatura e composição química semelhantes pode significar que, caso esse outro astro também tenha formado o seu próprio sistema de planetas e luas, é possível que a vida também tenha ocorrido.

Para Adibekyan, “se tivermos sorte, e nosso candidato tiver um planeta, e o planeta for rochoso, na zona habitável e, finalmente, se este planeta estiver contaminado pelas sementes vitais que atingiram a Terra, então teremos o que se poderia sonhar”: confirmar que a Terra não é o único planeta da galáxia onde a vida existe – “uma Terra 2.0 a orbitar um Sol 2.0”.

TAGGED:AstronomiaCiência & SaúdeDestaqueSol
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