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Home - Ciência - O planeta mais escuro alguma vez encontrado engole 99% da luz

Ciência

O planeta mais escuro alguma vez encontrado engole 99% da luz

Last updated: 30 de Abril, 2018
Redação
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4 Min Read
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(dr)

Conceito artístico do planeta “negro” WASP-104b

Há um planeta do tamanho de Júpiter que orbita uma estrela a 466 anos-luz da Terra, provavelmente com cor de ameixas, cor de brasas em extinção… ou qualquer outra cor.

Os astrónomos envolvidos no estudo deste planeta não conseguem definir a sua cor, porque o planeta massivo é um dos mais escuros alguma vez detetados.

De acordo com um artigo publicado em abril no arXiv, o planeta conhecido como WASP-104b é mais escuro que carvão e engole 99% da luz que recebe da estrela que orbita.

“Entre todos os planetas que encontrei na literatura, este está no top cinco dos mais escuros. Talvez até no top três”, afirma Teo Mocnik, investigador da Universidade Keele, no Reino Unido, ao New Scientist.

O planeta mais escuro descoberto até agora é o TrES 2B ou Kepler-1b, está a 750 anos-luz da Terra, é totalmente preto e absorve mais de 99% da luz que chega até ao planeta.

Mocnik e os seus colegas não descobriram o WASP-104b, que foi descrito pela primeira vez em 2014. O que fizeram foi analisar dados do observatório espacial Kepler. Já que não conseguiram visualizar o WASP-104b diretamente, os investigadores estudaram o planeta de forma indireta, utilizando o método do trânsito astronómico.

Os investigadores analisaram a mudança da luz de um astro que passa atrás do objeto de estudo – um bom exemplo do trânsito astronómico é o eclipse solar, em que a Lua cobre a vista do Sol. Outras observações também ajudaram, como o subtil oscilar que o WASP-104b causa na sua estrela.

Planetas como o WASP-104b são chamados Júpiters quentes, o que significa que são tão massivos quanto Júpiter, apenas com uma diferença: os Júpiteres quentes orbitam extremamente perto das suas estrelas, o que resulta em temperaturas escaldantes à superfície. No caso do WASP-104b, o planeta está tão próximo da sua estrela que completa uma translação em apenas 1,76 dias, enquanto que a Terra leva os conhecidos 365 dias.

Apesar de parecer uma explicação estranha, é precisamente a proximidade do planeta à sua estrela que faz com que seja tão escuro. Assim como a lua da Terra tem uma face “travada” em relação à Terra – o tempo que a lua demora a girar sob o seu próprio eixo é igual ao tempo que demora a girar à volta da Terra -, o WASP-104b também tem a face travada no seu sol. Como resultado, um lado do planeta tem dias permanentes e o outro lado tem noites sem fim.

A escuridão da parte que está sempre escura no planeta é fácil de entender. Por outro lado, a parte do planeta que está sempre na claridade não é visível para nós porque provavelmente recebe tanta radiação estelar que não consegue formar nuvens ou gelo.

São as nuvens e o gelo que facilitam a visualização de planetas ao refletir a luz, mas também formam um “teto” sobre elementos que absorvem a luz na atmosfera do planeta.

Fonte: ZAP

TAGGED:AstronomiaCiência & SaúdeDestaqueEspaço
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