Tâmega e Sousa, Portugal – A coesão territorial e a competitividade do interior norte voltam a estar no centro da agenda autárquica, desta feita com os onze municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa unidos numa exigência clara. A entidade aprovou por unanimidade uma tomada de posição conjunta para pressionar a concretização célere de ligações rodoviárias estruturantes que há muito continuam por finalizar nos concelhos de Cinfães e Resende, aproximando estas populações dos principais eixos viários do país.
O documento político recebeu luz verde num Conselho Intermunicipal realizado a 22 de setembro, tendo sido formalmente remetido para o Governo, para a Infraestruturas de Portugal, para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e para todas as bancadas parlamentares com assento na Assembleia da República. Os autarcas pretendem que estas obras passem a figurar no topo das prioridades estratégicas nacionais de investimento no setor rodoviário.
No centro desta reivindicação regional estão duas intervenções fundamentais para desbloquear a mobilidade local: a ligação entre Mesquinhata, no concelho de Baião, e Cinfães, que funcionará como prolongamento natural da Variante à EN211, e o eixo Baião–Ponte da Ermida–Resende, englobando todas as empreitadas complementares indispensáveis para garantir a sua plena operacionalidade no terreno.
Relativamente a Cinfães, a abertura recente da Variante à EN211 no troço compreendido entre Quintã e Mesquinhata constituiu um passo relevante, mas acabou por escancarar um problema por resolver. A ausência do prolongamento até Mesquinhata deixa o concelho afastado do potencial que a proximidade à autoestrada A4 poderia proporcionar. A conclusão deste lanço é vista como imperativa para otimizar o fluxo de tráfego de ligeiros e pesados, salvaguardando o retorno financeiro dos investimentos públicos já aplicados.
Já no que diz andamento diz respeito a Resende, o cenário é de estrangulamento crónico. A construção da ligação Baião–Ponte da Ermida–Resende é apontada como a única via para retirar o município do isolamento rodoviário em que vive há décadas. Apesar de a realidade demográfica e o tecido empresarial terem exigido mutações profundas na circulação, as vias de comunicação continuam a espelhar o passado. Esta posição conjunta surge também em sintonia com a evolução sentida ao longo de 2026 no troço da EN321-2 entre Baião e Lodão.
A administração intermunicipal sublinha que a melhoria destas vias vai muito para além da conveniência automobilística. Trata-se de uma questão de segurança rodoviária, de eficácia nos meios de socorro e de proteção civil, mas sobretudo de justiça no acesso a serviços públicos fundamentais como a saúde, além de funcionarem como alavanca indispensável para o turismo e para a economia local.
O impacto nos cuidados de saúde assume contornos críticos no dia a dia das populações locais. Para quem reside em zonas mais isoladas de Cinfães e Resende, chegar ao Hospital Padre Américo, localizado em Penafiel e considerado a unidade de referência para toda a região, obriga atualmente a viagens que superam sistematicamente os sessenta minutos. Em cenários de urgência médica, cada minuto perdido representa um risco acrescido para a vida humana, tornando a requalificação da rede viária uma prioridade humanitária e de coesão social.
A CIM do Tâmega e Sousa reforça que estas empreitadas devem ser avaliadas sob uma ótica estritamente regional, servindo para mitigar assimetrias estruturais, aproximar os territórios e fixar população através da criação de emprego e riqueza. Para concretizar esta ambição, a autarquia defende a mobilização conjugada de verbas oriundas do Orçamento do Estado e de fundos comunitários.
Demonstrando um espírito de cooperação institucional, a comunidade intermunicipal e os municípios afetados reiteraram a total disponibilidade para colaborar lado a lado com o Executivo central e com a empresa gestora das infraestruturas rodoviárias, nomeadamente na elaboração de estudos de impacte, projetos de execução e demais etapas burocráticas e técnicas necessárias para tirar estas obras do papel.


