Tâmega e Sousa, Portugal – O desafio de definir um percurso académico ou profissional encontrou respostas renovadas através do projeto-piloto denominado Construir o Futuro. Esta iniciativa, que encerrou o seu ciclo de testes no final do ano letivo 2025/2026, é o resultado de uma colaboração estreita entre a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa e o Social Inclusion Laboratory (SINCLab), unidade da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. O esforço conjunto procurou dotar os estudantes de ferramentas práticas para uma tomada de decisão mais ponderada e esclarecida, integrando o Programa Intermunicipal de Orientação Vocacional e Profissional da região.
Abrangência e impacto escolar
Ao longo da fase de execução, 46 estabelecimentos de ensino foram envolvidos, sendo que 34 deles lograram completar a totalidade do processo experimental. O alcance da iniciativa foi significativo, integrando 161 turmas distribuídas entre o 7.º e o 12.º ano de escolaridade. Deste universo de participantes, 135 turmas pertenciam ao ensino regular, enquanto as restantes 26 faziam parte do ensino profissional. Este envolvimento diversificado garantiu que a implementação das estratégias de orientação fosse testada em diferentes realidades educativas, permitindo uma análise abrangente das necessidades dos alunos.
Metodologias aplicadas e autodescoberta
A estrutura do programa baseou-se na aplicação de 12 atividades específicas dedicadas ao desenvolvimento de carreira e à exploração vocacional. Estas dinâmicas foram desenhadas para promover o autoconhecimento e o contacto direto com múltiplos cenários profissionais e académicos. Entre as ferramentas utilizadas pelos estabelecimentos de ensino destacam-se iniciativas como a Biblioteca Humana, o Café com Histórias, o Plano A, B ou C, a Profissão à Vista e a simulação intitulada Estás Contratado. Todas estas vertentes visaram, primordialmente, capacitar os jovens para a construção de projetos de vida sólidos, que considerem tanto os seus interesses pessoais como as realidades do mercado.
Colaboração entre agentes educativos
O sucesso do projeto não teria sido possível sem o papel determinante dos Serviços de Psicologia e Orientação (SPO), bem como a dedicação de docentes, famílias e dos municípios da região. A iniciativa funcionou como um laboratório vivo, onde a investigação científica da Universidade do Porto encontrou terreno fértil para ser aplicada. Este método de trabalho permitiu que os resultados fossem validados empiricamente, gerando recursos e instrumentos de trabalho que servirão de suporte para os profissionais do setor educativo no futuro.
Visão estratégica e sustentabilidade
A CIM do Tâmega e Sousa enfatiza que este esforço é estratégico para a coesão territorial. Ao aproximar os jovens das oportunidades existentes na sua própria região, o projeto procura criar uma ligação mais estreita entre a oferta formativa das escolas e as necessidades reais das empresas e instituições locais. Esta articulação visa não apenas orientar o aluno, mas também preparar melhor a região para os desafios económicos dos próximos tempos.
Como parte de uma prioridade definida para o desenvolvimento regional, este programa tem uma vigência total de quatro anos. Após o encerramento bem-sucedido desta etapa experimental, o projeto continuará em curso, prevendo-se que os seus efeitos se estendam até ao final do ano letivo 2028/2029, consolidando uma nova forma de olhar para o futuro dos jovens na região do Douro, Tâmega e Sousa.


