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Home - Crónicas - Poema: A carta

Crónicas

Poema: A carta

Last updated: 22 Fevereiro, 2018 19:32
Redação Paivense
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A mentira que hoje eu sofro em dizer-te, é a verdade que não consigo esquecer. Se imaginasses o quanto o meu coração se aperta dentro do meu corpo flagelado, repleto de dor por não poder contrariar este sentimento que atropela a minha normalidade mental.

O meu mundo explode de raiva sempre que da tua boquinha inocente, do teu coração desconsolado sai a amargurada pergunta da mais genuína incompreensão da ausência, da perfeita imensidão de saudade que uma filha tem, a quem a vida não permite abraçar, a quem não lhe é dado o direito primário de sentir o calor do beijo da sua mãe. Como tu, eu também não compreendo, mas por ti, sou obrigado aceitar a verdade.
A minha maior inquietação é ter a consciência da tua dor, do imensurável sofrimento desse teu coração ainda frágil, tão necessitado do amor que de ti partiu, que não te abandonou por vontade própria, que o destino ou seja lá o que for te roubou injustamente.

A cada prostração que tens, eu sinto a tua tristeza brotar pelos teus olhos, imagino os teus pensamentos inundados de incertezas, inocentemente procurando respostas para as quais não consegues responder. Nesse momento desejava fazer-te entender o quanto ela te amava, mas também tenho em mim a certeza que a tua mãe, esteja ela onde estiver, ama-te tanto, mas tanto, que todas as palavras serão poucas para o demonstrar.

O amor e a dedicação que ela por ti tinha é impossível de quantificar, talvez nunca irás ter a percepção do quanto ela movia montanhas para que tu fosses feliz, mas se acreditas em mim, cada palavra que eu te disser será a verdade mais pura de quem como tu também sente a dor. A dor incompreendida de nos ter sido roubado algo de tão precioso.
Acredita, tu eras, tu és e eternamente serás o seu grande amor. Tu para ela eras a fonte que lhe dava vida, eras a luz de todas as manhãs, eras simplesmente a razão que fazia com que ela vivesse cada dia.

Eu amo-te muito, mas tenho em mim, que o amor dela era superior a qualquer outra paixão. Cada abraço, cada beijo, mesmo cada castigo era do mais puro amor que uma mãe dá a uma filha. Como a noite guarda as estrelas, ela segurava-te no coração, porque só tu eras o seu mundo, cada passo que dava, cada pensamento, cada desejo, cada preocupação tu eras a razão.

Eu guardo em mim o desejo, e tudo farei para que aconteça que um dia, tu olhando uma fotografia da tua mãe, digas, eu amo-te, eu sei que foi muito, muito pouco o nosso tempo, mas será infinito o nosso amor e a estrela que olho à noite, e desejo que sejas tu, a minha mãe brilhando para mim, fique no meu coração como algo interminável, como a mulher que me deu a vida, mas que Deus chamou para junto dele, mas em mim a cada dia que passa seguro no meu coração o grande amor que me terias.
Desculpa minha princesa que eu não possa dizer ou fazer mais que te aconchegar, e deixar a cada dia no teu coração o quanto te dou e que é impossível de ser o que ela, a tua mãe te daria.
Apenas desejo que eu e tu sejamos a janela por onde é permitido entrar a esperança, o amor infinito de quem partiu, estando aqui.

Paulo Semide


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Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista com Mestrado e Doutorado em neurociência e em psicologia pela universidade EBWU nos Estados Unidos e na Université Libre des Sciences de l'Homme de Paris. Ainda na área da neurociência, pós graduação na Universidade Faveni do Brasil e Especialização em propriedade elétricas dos neurônios e regiões cerebrais na Universidade de Harvard nos Estados Unidos. Pós Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal, Mestre em Psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, membro da Unesco e Neuropsisanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Clínica. Especialização em Nutrição Clínica e Riscos Psicossociais pela Traininghouse de Portugal e Filosofia na Universidade de Madrid e Carlos III na Espanha. Integrante da SPN - Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC - Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS - Federation of European NeuroscienceSocieties - PT30079 e membro da Mensa, sociedade de pessoas de alto QI com sede na Inglaterra.
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