Cerca de 931 mil trabalhadores estão já abrangidos pelo novo regime de lay-off simplificado, seja na modalidade de suspensão temporária de contrato de trabalho ou redução de carga horária. O número foi avançado esta quarta-feira pela ministra Ana Mendes Godinho, ouvida em sede da Comissão de Trabalho e Segurança Social, sobre o impacto das medidas anunciadas pelo Governo para mitigação dos impactos económicos e laborais da pandemia covid-19.
Para a ministra, o mecanismo está a cumprir a sua função de “amortecedor da destruição de postos de trabalho”, mas os números do desemprego registado já sobem acima de 10%. Há atualmente 353 mil desempregados inscritos nos centros de emprego nacionais.
Mas embora a ministra destaque a relevância da medida na contenção do desemprego, os impactos da pandemia já se fazem sentir nas estatísticas. O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) só divulga dados sobre o desemprego registado em março, o primeiro em que o mercado de trabalho terá começado a sentir os impactos da pandemia nas empresas e na economia, na próxima segunda-feira. Ana Mendes Godinho antecipou-se. Segundo a ministra, março terá fechado com 321 mil desempregados e à data de ontem (14 de abril), estavam inscritos nos centros de emprego nacionais 353 mil desempregados. A confirmarem-se os números projetados para março, nos primeiros 14 dias de abril o desemprego terá já subido mais de 10% face ao mês anterior.
Os dados do desemprego registado são uma das formas de medir os impactos da pandemia covid-19 no mercado de trabalho, mas com algumas limitações. Nem todos os desempregados terão de estar inscritos nos centros de emprego, desde logo porque a inscrição só é obrigatória para quem benefício de subsídio de desemprego e nem todos os trabalhadores se enquadram neste grupo. O desemprego real, calculado com base no universo total da população desempregada, só será divulgado no final do mês de abril pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


