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Home - Economia - Federação das Associações da Diáspora reforça rede internacional em encontro realizado em Viseu

Economia

Federação das Associações da Diáspora reforça rede internacional em encontro realizado em Viseu

Last updated: 14 de Agosto, 2026
Erre Soares
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10 Min Read
Fotos: Agência Incomparáveis
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A Federação das Associações da Diáspora (FAD) realizou, nos dias 8 e 9 de agosto, no Solar dos Peixotos, em Viseu, o 4.º Encontro de Dirigentes Associativos. A iniciativa, acompanhada pela reportagem da Agência Incomparáveis, reuniu responsáveis de organizações ligadas às comunidades portuguesas no estrangeiro, autarcas, representantes políticos e membros dos órgãos sociais da Federação.

A sessão de abertura contou com a participação do presidente da Direção da FAD, Fernando Cabaço, do presidente da Assembleia Geral, José Ernesto Silva, do presidente da Assembleia Municipal de Viseu, José Mota Faria, e do presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo. A moderação esteve a cargo do primeiro secretário da Federação, João Paulo Rocha.

Os trabalhos centraram-se na preparação de um novo encontro de dirigentes associativos, previsto para 2027, na criação de uma rede de mandatários nos países de acolhimento e na discussão do regulamento interno. Foram também analisadas formas de melhorar a articulação entre associações com diferentes dimensões, áreas de intervenção e contextos geográficos.

Durante o encontro, a FAD nomeou mandatários encarregados de divulgar a Federação nos respetivos países, promover a adesão de associações e funcionar como pontos de contacto com a direção. A rede pretende ainda abranger comunidades portuguesas na Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.

O programa incluiu a assinatura de dois protocolos de cooperação com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Balear e a Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto. No domingo, dia 9, foram entregues os estatutos e lembranças aos participantes, seguindo-se uma visita à sede da Confraria de Saberes e Sabores da Beira Grão Vasco, entidade ligada à organização do encontro e à promoção da cultura, da gastronomia e das tradições das Beiras.

Em declarações à nossa reportagem, o presidente da Direção da FAD, Fernando Cabaço, residente em Palma de Maiorca, Espanha, considerou que a quarta edição demonstrou o interesse das organizações no trabalho federativo.

“Foi talvez um dos melhores encontros. Esperávamos mais alguns dirigentes, mas os que vieram demonstraram o interesse que existe na Federação. Isso dá-nos esperança no trabalho que temos realizado e no que vamos realizar a curto prazo”, afirmou, defendendo que “uma representação conjunta permite apresentar às autoridades os problemas partilhados pelas comunidades portuguesas, entre os quais a participação eleitoral dos emigrantes, o financiamento das associações, o apoio institucional e a consolidação das redes da diáspora”.

“Esperamos que as associações da diáspora compreendam que, estando unidas em torno da Federação, é mais fácil defendermos os nossos problemas com uma só voz do que cada uma, isoladamente, tentar defender a sua posição”, acrescentou Fernando Cabaço. Sobre a nova estrutura internacional, explicou que “o papel dos mandatários é divulgar a existência da FAD, promover a adesão das associações e ser um braço da Federação no local onde se encontram”.

Alfredo Stoffel, vice-presidente da FAD, entende que os problemas das comunidades portuguesas, apesar das diferenças entre países e continentes, apresentam pontos comuns, nomeadamente no acesso aos serviços consulares, no relacionamento com o Estado português e no ensino da língua portuguesa no estrangeiro. Para este dirigente na Alemanha, a FAD não tem como função resolver diretamente estes problemas, mas deve atuar como porta-voz das dezenas de associações da diáspora, recolher as suas reivindicações e apresentá-las às autoridades portuguesas.

“Temos de identificar os temas transversais a todas as comunidades, sem esquecer que cada país tem as suas especificidades. As próprias associações devem informar a Federação sobre os problemas existentes, para que possamos fazer valer uma voz comum”, afirmou Stoffel, que considerou ainda que o associativismo constitui a “coluna vertebral das comunidades”, apesar de alertar para a necessidade de adaptação às novas gerações, às tecnologias e a formas de participação menos dependentes de uma sede física.

“A FAD pode representar o associativismo clássico, mas só terá razão de existir se estiver virada para o futuro, aberta aos interesses dos jovens e às novas tecnologias”, referiu.

Para o presidente da Assembleia Geral da FAD, José Ernesto Silva, residente em Viseu, o encontro representa o início de uma nova fase de atividade.

“Este encontro representa o início de um trabalho para dinamizarmos a Federação, criarmos uma interligação entre as diferentes associações da diáspora e desenvolvermos polos de partilha de saberes e sabores a nível mundial”, declarou.

Por seu turno, Jorge Rodrigues, presidente do Conselho Fiscal da FAD e dirigente associativo na Suíça, destacou a função da Federação na ligação entre associações locais, estruturas federativas dos países de acolhimento e instituições portuguesas.

“A Federação tem uma importância fundamental no agrupamento das associações. Tem um caminho difícil para percorrer, mas esse caminho deve ser feito com calma e seriedade, através da agregação e do intercâmbio entre as associações da diáspora”, afirmou.

No discurso de abertura do encontro, João Paulo Rocha, primeiro secretário da Federação das Associações da Diáspora, afirmou que a FAD pretende “iniciar uma nova etapa, marcada pela aproximação às associações, pela renovação geracional e pelo envolvimento dos jovens”. Este dirigente defendeu que a Federação deve funcionar como “uma ponte entre Portugal e a sua diáspora”, promovendo parcerias e transformando conhecimento em desenvolvimento.

“Portugal não termina nas suas fronteiras. Portugal continua onde existir um português”, disse.

Autoridades e entidades ouviram preocupações

O presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo, salientou o contributo económico, cultural e social das comunidades portuguesas.

“Estas comunidades contribuíram para que o país fosse mais forte, não apenas através das divisas, mas também pelo investimento, pelo conhecimento e pela troca de experiências. Foram mensageiras e embaixadoras da cultura e da língua portuguesas”, afirmou, sublinhando a necessidade de renovação das estruturas associativas.

Paulo Pisco, diretor do Departamento das Comunidades do Partido Socialista (PS) e antigo deputado à Assembleia da República eleito pela emigração pelo círculo eleitoral da Europa, considerou que o movimento associativo continua a ser uma das principais formas de organização dos portugueses residentes no estrangeiro.

“Uma comunidade organizada é uma comunidade mais forte. Uma das formas privilegiadas de organização das nossas comunidades é o movimento associativo. As associações são um rosto da presença de Portugal no mundo”, declarou, adiantando que a Federação pode ampliar a sua representação e estabelecer uma rede permanente entre organizações de vários continentes.

“Esta Federação é a manifestação de uma rede. Se existe uma diáspora que deve reforçar a sua ligação em rede é a portuguesa, porque está presente em praticamente todo o mundo”, concluiu.

Também à Agência Incomparáveis, o presidente da Junta de Freguesia de Viseu, Nuno Bico, destacou a dimensão da emigração no distrito e a necessidade de criar respostas para quem pretende regressar a Portugal.

“O regresso à casa tem de ser acompanhado por condições que permitam a estas pessoas viver melhor. A Junta de Freguesia de Viseu está disponível para colaborar com a Federação na criação dessas condições”, afirmou.

Segundo apurámos, a FAD tem como missão “congregar, representar e coordenar associações da diáspora, funcionando como plataforma de cooperação e defesa dos interesses das comunidades”. As suas áreas de intervenção incluem “desenvolvimento social, educação, formação profissional, empreendedorismo, integração económica, cultura, cidadania, cooperação internacional, sustentabilidade e participação das novas gerações”.

A Direção é presidida por Fernando Cabaço, de Espanha, e integra os vice-presidentes Alfredo Stoffel, da Alemanha, e Maria Violante, da Argentina; João Paulo Rocha, de Portugal, como primeiro secretário; Gracia Rodrigues, de Espanha, como segunda secretária; Pedro Rupio, da Bélgica, como tesoureiro; José Paulo Peixoto, do Luxemburgo, como vice-tesoureiro; Bessa de Carvalho, de Portugal, como diretor de Patrocínios; e Carlos de Oliveira, da Argentina, como diretor de Relações Públicas.

O Conselho Fiscal é presidido por Jorge Rodrigues, da Suíça, e integra Manuel Viegas, da Florida, Estados Unidos, e António Guerra, da Suíça. A Mesa da Assembleia Geral é presidida por José Ernesto Silva, de Portugal, tendo como secretários Bernardino Nascimento, de Toronto, Canadá, e Cláudia Cruz, de São Paulo, Brasil. Paulo Cardoso, ligado à Confraria de Sabores e Saberes da Beira Grão Vasco, é suplente.

A consolidação da rede de mandatários, a preparação do encontro de 2027 e a aproximação às associações e federações dos países de acolhimento constituem os próximos passos definidos pela Federação.

Ígor Lopes

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