Armamar, Portugal – A histórica Quinta dos Frades, situada em Armamar, apresentou a sua nova identidade institucional, num movimento que marca a conclusão de um ciclo de renovação iniciado em 2023. Esta atualização abrange tanto a imagem visual da propriedade como a organização do seu portefólio de vinhos, que passa agora a ser representado por seis novas referências já disponíveis no mercado. O projeto, liderado pela família proprietária, visa valorizar o património vitícola da região do Douro, integrando também a produção da Quinta do Castelo, situada em Santa Marta de Penaguião.
Um legado secular com nova roupagem
Com fundação datada de 1256, a Quinta dos Frades detém mais de 750 anos de história, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento da localidade da Folgosa do Douro. A preservação de manchas significativas de Vinha Velha e Vinha Centenária constitui o pilar central da nova estratégia de marca. Aquiles de Brito, administrador delegado da empresa, descreve esta transição como uma evolução contínua, onde o logótipo foi redesenhado para incorporar os símbolos clássicos do solar, como a cruz e a esfera armilar, através de uma estética contemporânea e elegante. A tipografia escolhida reforça o compromisso da família com a sua herança, sem descurar uma projeção internacional.
A arquitetura da gama foi simplificada para conferir maior consistência e notoriedade ao nome principal. Marcas que coexistiam anteriormente, como a Vinha dos Deuses e a Vinha dos Santos, foram descontinuadas, concentrando todo o protagonismo na marca-mãe. Paralelamente, surge a segunda marca, designada apenas por Frades, que serve de veículo para vinhos brancos que aproveitam a altitude e o terroir específico da Quinta do Castelo, uma vez que a Quinta dos Frades se dedica exclusivamente à produção de tintos.
Aposta na precisão enológica
O processo de renovação coincidiu com a nomeação de Diogo Lopes para a liderança enológica. O enólogo, amplamente reconhecido no setor, tem focado o seu trabalho na interpretação rigorosa do terroir da propriedade, dando um destaque particular ao potencial das Vinhas Velhas. Segundo Diogo Lopes, o objetivo central desta nova etapa é explorar a riqueza dos field-blends, que reúnem mais de 20 castas, permitindo criar vinhos com uma frescura e autenticidade que caracterizam o Douro genuíno.
A nova gama de vinhos
O lançamento engloba uma seleção que espelha as diversas dimensões do património duriense detido pela família Delfim Ferreira. O portefólio imediato inclui os vinhos Frades Colheita Branco 2024 e Tinto 2023, ambos com um custo de 8,90€, que propõem uma abordagem marcada pela frescura.
O Frades Reserva Branco 2024, comercializado a 16€, destaca-se pelo seu perfil rico e untuoso, enquanto o Quinta dos Frades Rosé 2024, pelo mesmo valor, apresenta uma acidez vibrante.
Nos tintos de topo, a Quinta dos Frades Reserva Tinto 2021 (16€) oferece um caráter encorpado e cremoso, ao passo que o Quinta dos Frades Vinhas Centenárias Grande Reserva 2017 (32€) assume-se como a referência máxima, com taninos potentes e uma complexidade aromática acentuada pela madeira de carvalho.
Contexto histórico e preservação
Com uma extensão de cerca de 200 hectares, a propriedade tem uma ligação profunda à viticultura, remontando ao século XIII, quando foi doada a monges da Ordem de Cister, ligada ao Mosteiro de Santa Maria de Salzedas. Após a extinção das ordens religiosas, a quinta foi adquirida pelo 1.º barão da Folgosa em 1841 e, posteriormente, em 1941, passou para a posse da família Delfim Ferreira, que detém a propriedade até aos dias de hoje. A preservação destas vinhas centenárias e a gestão cuidada da produção continuam a ser os vetores que definem o presente e o futuro desta casa emblemática do Douro.


