O cenário de devastação na Venezuela agravou-se consideravelmente após a ocorrência de dois sismos de elevada magnitude. Jorge Rodríguez Gómez, na qualidade de presidente da Assembleia Nacional, comunicou oficialmente que o total de óbitos atingiu a marca de 1430 pessoas. Para além das perdas humanas, o impacto da catástrofe reflete-se ainda em 3200 feridos e num universo de 3100 cidadãos que perderam a habitação e encontram-se agora privados de um teto.
No que concerne à comunidade lusa, os dados facultados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros revelam um quadro sombrio. Entre o total de vítimas, confirmam-se 41 mortes de cidadãos portugueses ou lusodescendentes. A contabilização mais recente detalha que, deste grupo, 35 eram adultos e seis eram menores de idade. Especificamente, o levantamento aponta para 34 lusodescendentes, seis portugueses e uma pessoa que detinha a nacionalidade através do matrimónio. Adicionalmente, as autoridades encontram-se no encalço de 87 pessoas incontactáveis — sendo 51 homens e 36 mulheres — embora 49 cidadãos já tenham sido localizados com sucesso após o período de incerteza inicial.
A situação sísmica no país permanece instável e preocupante. Após os dois abalos principais, que registaram intensidades de 7,2 e 7,5 na escala de Richter na zona norte da Venezuela na passada quarta-feira, a região de Aragua sofreu um novo tremor de terra este sábado, com uma magnitude de 5,6. Estes fenómenos sucessivos têm dificultado os esforços de resgate e a estabilização das infraestruturas locais.
Como resposta urgente à crise, o apoio vindo de Portugal já se encontra operacional. Duas aeronaves da Força Aérea Portuguesa, que descolaram da base de Beja na noite de sexta-feira, completaram a aterragem no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Caracas, e em Maiquetía, nas proximidades da área mais fustigada de La Guaira. A comitiva, composta por 64 profissionais altamente especializados da UEPS da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, dos Sapadores Bombeiros de Lisboa e do INEM, chegou com o intuito de reforçar as operações de busca, salvamento e prestação de cuidados médicos imediatos.
Para além do capital humano especializado, o auxílio português transportou cerca de 23 toneladas de material essencial. Esta carga humanitária inclui bens de primeira necessidade, tais como medicamentos, equipamentos médicos, tendas para abrigo, geradores de eletricidade, mantimentos e equipamento de proteção individual, essenciais para que os operacionais possam realizar as suas tarefas com segurança e eficácia no terreno afetado pelo sismo.


